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  Cabo Verde
Sonho de professor português cumpre-se na maior biblioteca escolar
- 6-Jun-2003 - 14:36

Jorge Pinto, um professor português a leccionar em Cabo Verde, um dia sonhou com uma biblioteca para desenvolver nos alunos hábitos de leitura, lançou o pedido pela Internet e a resposta foi surpreendente.


Francisco Fontes
da Agência Lusa

A melhor expectativa que tinha quando lançou o apelo era reunir até um milhar de livros, mas já são cerca de 10 mil e, perante a dificuldade em lidar com tantas obras doadas, decidiu encerrar a campanha.

Natural do Porto, este jovem de 28 anos deixou-se entusiasmar pela cooperação e, em Outubro de 2000, chegou a Cabo Verde para leccionar língua portuguesa na Escola Secundária Dr. Baltazar Lopes da Silva, na vila de Ribeira Brava, ilha de S. Nicolau, ao abrigo dos acordos entre os dois Estados.

Logo constatou que a língua portuguesa "andava pelas ruas da amargura", devido à reduzida competência linguística dos seus alunos.

A biblioteca escolar era pobre e o seu acervo, criado um ano antes, era constituído essencialmente por manuais escolares.

Então, Jorge Pinto idealizou uma estratégia: lançar um e-mail pela Internet dirigido a amigos, uns que trabalhavam em editoras em Portugal, outros que exerciam as mais diversas profissões, com o pedido de que difundissem o apelo pela "rede" a outros amigos.

"Pensei então, se cada um enviasse um livro seria possível melhorar a biblioteca. Na altura, assustei-me com a possibilidade de não chegarem livros, mas, ao contrário, vieram em catadupa", conta à Agência Lusa.

Lançou o e-mail poucos dias antes de partir de férias de Carnaval em 2001, e quando regressou, em inícios de Março, teve uma surpresa: "Uma senhora dos correios telefonou a dizer que aquilo estava bloqueado com tantas caixas que chegaram", lembra.

A biblioteca da Escola Secundária Dr. Baltazar Lopes da Silva, que funcionava também como espaço de informática, teve de ser aliviada dos computadores para dar lugar aos livros e, mesmo assim, o espaço era pequeno para o volume das ofertas.

Como as instalações escolares não permitiam outra solução, foi feita uma selecção rigorosa das obras, sendo deixadas no espaço da informática cerca de cinco mil. As restantes irão apetrechar um pólo da escola em Tarrafal de S. Nicolau.

Jorge Pinto contou à Agência Lusa que está a ser pensada a realização de uma mini-feira do livro, com as obras que não tem interesse directo para a actividade lectiva, o que permitirá reunir algum dinheiro para outras melhorias na escola.

Entre as obras que poderão ser vendidas cita os casos de monografias de localidades, remetidas por Câmaras Municipais, e de certos estudos oferecidos por instituições.

A maioria das obras chegou de Portugal, mas também foram remetidas edições em língua portuguesa por instituições e cidadãos anónimos de Macau, Canadá, Bruxelas, China, entre outros.

Institutos de língua portuguesa, vários senadores do Brasil, as fundações Gulbenkian e Belmiro de Azevedo, o Instituto do Vinho do Porto, o Teatro de S. João, o Parque Expo, o jornal Público, a associação ambientalista Quercus, o Ministério da Agricultura, a Sociedade Portuguesa de Autores, a Assembleia da República e diversas câmaras municipais, todos de Portugal, também contribuíram.

As universidades de Toronto, Açores, Évora, Nova de Lisboa e Moderna e os institutos superiores técnicos do Porto e Leiria foram algumas das instituições de ensino a participar na campanha "Um livro para Cabo Verde".

Mas também houve casos de "empresas que se organizaram para enviar livros", conta o professor.

Jorge Pinto realça que "as editoras primaram" entre os doadores, não apenas pelo envio de obras de literatura, dicionários, gramáticas e outras didácticas, mas também de enciclopédias, como foram os casos da Verbo, Selecções do ReaderÈs Digest, Asa, Gradiva, Plátano, Texto Editora e Fundação Calouste Gulbenkian.

Colecções de literatura infanto-juvenis, obras de Eça de Queirós, José Saramago, Almeida Garrett, Sofia de Melo Breyner Andressen, Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada e de vários escritores da África de língua portuguesa figuram nesse acervo.

Os policiais de Agatha Christie, as obras juvenis de Enid Blyton, banda desenhada, ou "O Princepezinho", de Antoine de Saint- Éxupery, também chegaram em resultado da generosidade de cidadãos residentes nos mais diversos cantos do planeta.

Mas também há algumas edições periódicas que chegam à vila da Ribeira Brava, como o é caso da revista juvenil "Audácia", da qual são enviados vários exemplares, que "rapidamente desaparecem", "devorados" pelos alunos.

Com o acervo recolhido foi criada a biblioteca para alunos na Escola Secundária Dr. Baltazar Lopes da Silva, e ainda um núcleo bibliográfico para os professores, para os ajudar na actividade docente. Alguns dos que se encontram ainda em caixas serão remetidos para o pólo do Tarrafal de S. Nicolau.

Jorge Pinto presume que esta será a melhor biblioteca escolar de Cabo Verde, quer pela dimensão, quer pela diversidade de obras. E será também mais rica do que muitas bibliotecas públicas existentes no país.

Sobre os resultados alcançados, o professor português diz que "o gosto da leitura está a começar a instalar-se" entre os alunos, que requisitam livros espontaneamente, sem esperarem pelo incentivo de antigamente.

"A biblioteca está sempre cheia, quando antes era pouco frequentada", diz o professor.

Quanto à melhoria das competências na língua portuguesa, os resultados parecem ser mais lentos, mas já se notam alguns avanços. Jorge Pinto julga que também não é apenas por esta via que as deficiências se resolvem.

"O problema é de base, mas nos alunos terminais, que lêem mais, começa-se a notar uma expressão melhorzinha", sublinha, frisando a necessidade de se intervir em idades mais precoces para que a língua portuguesa "não ande pelas ruas da amargura" em Cabo Verde.

A campanha "Um livro para Cabo Verde" foi dada como encerrada em Dezembro de 2002, mas ainda continuam a chegar livros, embora a frequência já tenha diminuído.

No entanto, dado o volume de ofertas, Jorge Pinto já telefonou para as editoras para deixarem de remeter obras, a não ser que sejam algo de especial, porque o espaço já nem comporta as que chegaram.

E também, como na metáfora poética de Fernando Pessoa - "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce" -, Jorge Pinto, quando abandonar a escola no final do presente ano lectivo, deixará uma biblioteca para gerações de alunos fruírem, também em homenagem ao seu patrono, o escritor Baltazar Lopes da Silva.

Jorge Pinto vai, no entanto, permanecer em Cabo Verde, abraçando um desafio lançado por uma instituição privada do ensino superior.

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