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  Entrevista
Cassé: um raro exemplo de um exemplo raro
- 25-Apr-2008 - 19:28


O radialista, cronista e poeta Carlos Ferreira, Cassé, é daqueles angolanos (são poucos) que dizem de forma clara, aberta e frontal o que a maioria pensa (e quando pensa) em silêncio.


Cassé, que se encontra a frequentar uma universidade na capital da terra dos três “F” (aqui há umas décadas Portugal era conhecido como a terra do Futebol, Fado e Fátima), é daqueles que ainda resistem ao absolutismo absolutamente absoluto vigente em Angola.

Cassé, que recentemente optou por viver no estrangeiro até voltar a ter peito para enfrentar os atropelamentos diários à dignidade e aos Direitos dos cidadãos, é daqueles que se não coíbem de dizer verdades verdadeiras à pretensa “fina-flor pensante” angolana. Nem que para isso (digo eu) tenha que dar umas valentes “cacetadas” às ideias do poder com o poder das suas brilhantes ideias.

Cassé, quanto a mim, simboliza, entre outras coisas, aqueles angolanos (são poucos) que ainda podem dizer não ao poder e às suas ideias.

E porquê que Cassé é, afinal, daqueles homens que (ainda) resistem e que
(ainda) podem dizer não a quem tem três refeições por dia? A resposta está plasmada na interessante entrevista que o mesmo concedeu recentemente em Lisboa ao jornalista Jorge das Neves e estampada na edição de 16 a 23 de Fevereiro do jornal “Angolense”.

Cassé afirma na referida entrevista ter chegado à conclusão a um determinado momento em que “já não devia estar ao serviço de um poder (MPLA), que nos impregnou desde miúdos valores, princípios e até de uma ideologia que, como agora se vê, não professava nem nunca professou, teve dois efeitos: coarctou a capacidade de autonomia de cada um e é preciso tempo para a recuperar”.

Esta afirmação é uma verdade verdadeira e, por isso, só por isso (nada mais do que isso), cauciono-a! A OPA foi uma experiência para mim e permiti-me estabelecer uma diferença entre o MPLA de ontem e o de hoje.

Carlos Ferreira vai mais longe na ao revelar que “aqueles que se não predispuseram a virar comerciantes de ideias, e que não estavam dispostos aos malabarismos do poder, perderam toda a capacidade de manobra”.

Esta afirmação é uma verdade verdadeira e, por isso, só por isso (nada mais do que isso), cauciono-a!

“Pôr o Povo a ler, a pensar a discernir, é algo fora das cogitações de quem manda. Dá-lhe copo, dá-lhe maratona, dá-lhe os preservativos e não pensem. Temos quem pense por nós”.

Esta afirmação é uma verdade verdadeira e, por isso, só por isso (nada mais do que isso), cauciono-a!

jorgeeurico@noticiaslusofonas.com
25.04.2008


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