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  Comunidades
Dos 36 mil imigrantes residem no país apenas 18 mil são documentados
- 14-May-2008 - 18:24


Dos cerca de 36 mil imigrantes que vivem na Guiné-Bissau apenas 18 mil estão em situação legal de permanência, disse hoje à Agência Lusa o director-geral dos Serviços de Migração, Estrangeiros e Fronteiras (SMEF) guineense.


Lino Leal da Silva disse que a Guiné-Bissau "é de facto" o país onde se aplica o princípio comunitário de liberdade de circulação de pessoas e bens, tal é a quantidade de cidadãos estrangeiros que vivem no país sem documentação.

"As pessoas circulam pela Guiné-Bissau sem constrangimentos, mas convidamo-las a se legalizarem, caso contrário poderemos tomar medidas que passarão pela campanha de interpelação de pessoas nas ruas. Quem não estiver legalizado poderá ter problemas", afirmou Lino Leal, descartando, contudo, a possibilidade de expulsão.

"Jamais iremos expulsar alguém por não estar documentado. Queremos apenas que as pessoas se legalizem, como se faz nos outros países", defendeu o director-geral do SMEF da Guiné-Bissau.

O SMEF quer saber "quem é quem" para no caso de qualquer delito saber onde e quem procurar, frisou.

Questionado sobre a nacionalidade de cidadãos imigrantes na Guiné-Bissau, Lino Leal da Silva explicou que as principais comunidades são constituídas por indivíduos da Guiné-Conacri, do Senegal e da Mauritânia, embora se desconheça o número exacto de cada uma.

Em comum, referiu, as três comunidades dedicam-se ao comércio de produtos alimentares, roupa e calçado, bem como à compra e venda da castanha do caju, principal produto de exportação da Guiné-Bissau, embora este negócio seja sazonal (entre Abril e Agosto).

Ultimamente, salientou ainda o director-geral do SMEF, a Guiné-Bissau tem sido procurada também por cidadãos do Senegal e do Mali que se dedicam exclusivamente à pesca artesanal nas ilhas Bijagós.

Os nigerianos também vivem na Guiné-Bissau em "quantidade razoável" embora aproveitam o país para emigrar para outras paragens do mundo, disse Lino Leal.

Enquanto permanecem na Guiné-Bissau, os nigerianos dedicam-se ao comércio das bebidas alcoólicas e ao pequeno negócio da droga, afirmou o director-geral do SMEF, frisando, contudo, que essa prática tem sido "vivamente combatida" pelas autoridades.

Além de cidadãos que pertencem a Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental (CEDEAO), neste caso indivíduos oriundos do Senegal, Guiné-Conacri, Mali e Nigéria, vivem na Guiné-Bissau pessoas provenientes da República Democrática do Congo, da República Centro-Africana, de Marrocos e da Argélia.

A grande maioria vive em Bissau, embora muitos outros habitem nas cidades do interior como Gabu, Bafatá, Canchungo e Catió.

Entre os não africanos, vivem e trabalham na Guiné-Bissau portugueses, franceses, italianos (missionários), russos e palestinianos.

Alguns portugueses dedicam-se ao comércio, mas a grande maioria está na Guiné-Bissau ao abrigo de programas de cooperação.

"A presença de tantos estrangeiros no país é sinal de que temos paz e tranquilidade", concluiu Lino Leal da Silva.


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