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  Entrevista
Xenofobia na África do Sul
matou seis moçambicanos

- 20-May-2008 - 14:14


«É uma situação, de facto, dramática por que passamos e provavelmente poderemos voltar a passar», alerta embaixador de Maputo

Seis moçambicanos morreram na África do Sul vítimas de ataques xenófobos, realizados por grupos de vigilantes contra os imigrantes, disse hoje o embaixador moçambicano na África do Sul, Fernando Fazenda, citado pela Rádio Moçambique, emissora estatal, assegurando que o executivo de Maputo providenciará ajuda às famílias das seis vítimas moçambicanas assassinadas, para trasladarem os corpos para as províncias de origem.


“Vamos providenciar ajuda para a trasladação dos corpos para as suas províncias em Moçambique. Estamos em contacto com companhias de autocarros”, disse Fazenda, que descreveu a situação vivida na África do Sul como sendo “dramática”.

“É uma situação, de facto, dramática por que passamos e provavelmente poderemos voltar a passar”, considerou o representante do governo moçambicano na África do Sul.

Desde a última semana, a África do Sul está a viver momentos de intensa violência, resultante de atitudes xenófobas protagonizadas por sul-africanos contra os imigrantes, a quem acusam de prática de crimes e de contribuírem para o elevado índice de desemprego e de custo de vida naquele país vizinho de Moçambique.

Estes ataques concertados, que culminaram até ao momento na morte de 24 imigrantes, segundo dados das autoridades sul-africanas, têm como principal alvo moçambicanos, zimbabueanos, etíopes, chineses e paquistaneses.

A violência de cariz xenófoba começou em Alexandra (arredores de Joanesburgo) a 11 de Maio, estendendo-se depois a outras localidades.

Em consequência, a polícia sul-africana confirmou a detenção de cerca de 300 pessoas.

Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Oldemiro Balói, referiu que cerca de 70 moçambicanos manifestaram o desejo de regressar ao país, mas o governante pediu “serenidade”.

“Não seria bom sinal que os moçambicanos abandonassem a terra que também é deles”, aliás, “são pessoas que têm dado o seu máximo no trabalho (…). Que haja serenidade e confiança nas autoridades sul-africanas”, que estão a tentar resolver o assunto, disse Balói.

Parte dos moçambicanos alvo destes ataques de cariz xenófobo estão actualmente refugiados em esquadras e centros de acolhimento criados pelo executivo sul-africano.

Um funcionário da Direcção Nacional de Migração de Moçambique, afecto ao posto fronteiriço de Ressano Garcia, em Maputo, sul do país, entrevistado pela televisão privada STV, indicou hoje que desde a eclosão da violência quase cinco mil moçambicanos, incluindo mineiros, regressaram ao país.

Segundo o funcionário da Direcção Nacional de Migração de Moçambique, metade dos moçambicanos forçados a abandonar o território sul-africano “não possuem passaporte”.

Moçambique é um dos países membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) com o maior número de imigrantes a viver na África do Sul, a maior economia do continente, que se baseia na indústria mineira de ouro e platina.

Actualmente, as minas sul-africanas empregam 450 mil trabalhadores provenientes de todos os países da África Austral, 50 mil dos quais de Moçambique.

O director-geral da TEBA, a principal empresa de recrutamento de mineiros da SADC para a África do Sul, José Carimo, garantiu que nenhum dos trabalhadores moçambicanos foi vítima de violência.


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