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Portugal quer investir mais em território angolano
- 10-Jun-2003 - 18:05

A análise das relações bilaterais, sobretudo na vertente económica, e a cimeira da União Africana (UA), marcada para Julho em Maputo, são dois dos principais temas que trazem quarta-feira a Lisboa o chefe da diplomacia angolana.


A visita de dois dias de João Miranda, que vem a Portugal em resposta a um convite do seu homólogo português, António Martins da Cruz, tem também por objectivo preparar a deslocação do primeiro- ministro José Manuel Durão Barroso, a Angola, em data ainda a fixar.

A visita de Durão Barroso, a primeira que fará a Angola desde que é primeiro-ministro (Abril de 2002), tem sido sucessivamente adiada - o último adiamento foi provocado pela guerra no Iraque - , não estando ainda marcada, oficialmente, a nova data.

Em Lisboa, o ministro das Relações Exteriores angolano assinará com o seu homólogo português, António Martins da Cruz, o programa da cooperação luso-angolana para 2003.

Fonte oficial adiantou à Agência Lusa que, paralelamente, serão analisadas com Martins da Cruz questões relacionadas com a estrutura do projecto da cooperação entre os dois países para o triénio 2004/2006.

Este programa de três anos deverá ser anunciado em Luanda, durante a visita de Durão Barroso, apontando-se como áreas prioritárias as da Saúde, Educação e Formação Profissional e ainda o reforço da cooperação institucional.

Mas outras questões estão também agendadas para as conversas entre os dois ministros, como a candidatura do ex- presidente são- tomense Miguel Trovoada a presidente da Comissão da UA, que Luanda quer analisar com Lisboa, pois é o único dirigente africano de expressão lusófona a concorrer a cargos na organização pan-africana.

Nesse sentido, Martins da Cruz e João Miranda analisarão também as relações entre a União Europeia (UE) e África, tendo como fito não deixar esquecer a II Cimeira África/Europa, que esteve marcada para Abril último em Lisboa e que foi adiada "sine die" por questões políticas relacionadas com as sanções europeias ao Zimbabué.

Os dois governantes discutirão ainda a situação na RDCongo e na África Austral, tendo como pressuposto a vontade portuguesa de investir no mercado da Comunidade de Desenvolvimento daquela região do continente africano (SADC).

Em discussão estará ainda a situação interna em Angola, país que saiu há pouco mais de um ano de sucessivas guerras civis e que agora está pacificado, prevendo-se que Martins da Cruz e João Miranda analisem as possibilidades de novos investimentos portugueses.

Quarta-feira à noite, Martins da Cruz obsequiará João Miranda com um jantar oficial no Palácio das Necessidades, sede do MNE português.

Em discussão com as autoridades portuguesas estarão ainda questões ligadas ao projecto de instalação da Escola Portuguesa, um processo que se arrasta há vários anos e cujo arranque deverá ser formalmente lançado em Luanda por Durão Barroso.

A Escola Portuguesa tem actualmente 1.065 alunos e 70 professores, a maior parte dos quais de nacionalidade portuguesa, e as instalações que ocupa estão sobrelotadas.

O projecto para a construção de uma escola de raiz tem vários anos e é um "dossier" que Durão Barroso conhece do tempo em que foi ministro dos Negócios Estrangeiros.

Quinta-feira, último dia da deslocação, João Miranda terá encontros com o presidente da Assembleia da República (AR) portuguesa, João Bosco Mota Amaral, e com o secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o brasileiro João Augusto de Médicis.


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