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  Cabo Verde
Adriana Branco (PSD) propõe estrutura permanente de mulheres parlamentares
- 10-Jun-2003 - 20:00

A deputada portuguesa Adriana de Aguiar Branco, do Partido Social Democrata, propôs hoje, em Brasília, a criação de uma estrutura permanente de mulheres parlamentares de língua portuguesa.


Adriana de Aguiar Branco e a socialista Maria do Rosário Carneiro representam Portugal no I Encontro de Mulheres Parlamentares dos Países de Língua Portuguesa, que decorre em Brasília até quarta-feira.

O encontro conta com a participação de mais de 150 deputadas e pretende traçar uma linha de actuação conjunta no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para incentivar a participação da mulher na política.

Adriana Branco criticou o facto de não haver participação masculina no encontro e defendeu que "os problemas da mulher, como a violência e a discriminação, não se resolvem de costas voltadas para os homens".

A deputada portuguesa manifestou-se também contra o sistema de cotas, defendendo que o problema da baixa representatividade da mulher na política só será resolvido quando as próprias mulheres criarem condições efectivas para que isso aconteça.

Em Portugal, a participação da mulher na Assembleia da República equivale a 20 por cento, enquanto no Brasil não chega a sete por cento no Congresso Nacional.

Em Angola, as mulheres ocupam 16,4 por cento das cadeiras no Parlamento, uma participação considerada "insignificante" pela deputada angolana Joana Lima Ramos Baptista, do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA).

Ex-ministra da Família e Promoção da Mulher e actual presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional, Joana Baptista disse que até 2005, essa representação deve atingir os 30 por cento, de acordo com a meta da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados do Brasil, Maria José Maninha, do Partido dos Trabalhadores, disse à Agência Lusa que apesar da representatividade ainda pequena da mulher nos parlamentos, nota-se que "em todos os países da CPLP há um movimento feminista em ebulição".

Maria José Maninha defendeu ainda a criação de uma frente de parlamentares de língua portuguesa e uma maior intercomunicação das mulheres parlamentares com os governos.

O próximo encontro das mulheres parlamentares de língua portuguesa realizar-se-á em Lisboa, no próximo ano, a convite das deputadas portuguesas.

A CPLP integra Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.


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