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  Entrevista
Governo de Angola nega conflito armado em Cabinda
- 3-Oct-2008 - 18:24


O ministro sem pasta de Angola António Bento Bembe negou hoje a existência de um conflito armado em Cabinda, considerando as mortes recentes "actos de banditismo" protagonizados por pessoas que pretendem "resolver questões pessoais".


Em declarações à Agência Lusa, Bento Bembe, que também preside ao Fórum Cabindês para o Diálogo(FCD), reagia assim à entrevista à Lusa do deputado da UNITA e activista cívico de Cabinda Raul Danda, que afirmou haver uma guerrilha activa no enclave e que "há gente que mata e que morre de ambos os lados" naquela província angolana.

O governante angolano classificou ainda aqueles que reclamam a existência de um conflito armado no enclave como "pessoas mal intencionadas".

Nos últimos meses foram registadas e imputadas aos guerrilheiros da FLEC a morte de um cidadão brasileiro, o ferimento de um português e ainda esporádicos ataques a guarnições militares das Forças Armadas de Angola estacionadas no enclave de Cabinda.

"Morre-se em todo o mundo. Morre gente no Huambo, morre gente no Cunene e em todas as províncias de Angola. Pelo contrário se formos ver a estatística desta mortandade podemos ver que em várias províncias morre mais gente do que em Cabinda", salientou Bento Bembe.

Segundo o ministro, o que se passa em Cabinda não é "exactamente" uma guerrilha.

"Eu, nascido em Cabinda e alguém que já fez guerra em Cabinda, tenho uma experiência da guerra que data de 30 anos. Aqueles que ainda falam da existência de guerra de guerrilha em Cabinda, muitos deles não fizeram a guerra e não a entendem e nem podem definir a própria palavra guerra em si", acrescentou.

"O que existe em Cabinda são actos de banditismo de pessoas que pensam que por essa via estão a pressionar o Governo para se poderem valorizar e nessa altura apresentar as suas reivindicações", afirmou.

Bento Bembe explicou que o Governo angolano aceitou o diálogo há algum tempo, e, na qualidade de presidente do Fórum Cabindês para Diálogo (FCD), recordou que foi dada a oportunidade a todos os cabindenses para "abraçarem o processo de paz que alguns hesitaram integrar".

"Todos foram convidados e tenho testemunhos de pessoas que fizeram digressões para poderem contactar toda a gente, mesmo nos países vizinhos, a fim de poderem integrar o processo", referiu.

Bento Bembe acusou "aqueles que não acataram tal disponibilidade do executivo" de falta de "pensamento político, senso de responsabilidade", por serem pessoas que enveredaram no caminho da política "sem estarem à altura de compreender a época em que vivem".

"Todos nós lutamos para a independência de Cabinda, mas é preciso compreender que as coisas mudam e os contextos também", disse.

"E fico muito triste quando alguém que acompanhou bem a evolução da própria guerra de Cabinda, a trajectória da Frente Nacional de Libertação do enclave de Cabinda (FLEC), e todas as vicissitudes que esse movimento veio a conhecer, não tenha percebido que era uma aventura continuar a privilegiar a guerra", disse Bento Bembe.

Questionado sobre pena de prisão de 12 anos aplicada ao jornalista de Cabinda Fernando Lelo, por alegada prática de crime contra a segurança do Estado e instigação à rebelião armada, o ministro sem pasta disse que é um dossier do qual se irá inteirar dentro de algum tempo.

Ao líder da FLEC, Nzita Tiago o presidente do FCD deixou um recado: "Que tenha calma e que deixe as coisas em Cabinda evoluírem como até agora".

"Nzita Tiago está ultrapassado no tempo e no espaço", concluiu Bento Bembe.


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