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  Entrevista
O Papa vai apelar à continuação da reconciliação, diz arcebispo de Luanda
- 30-Oct-2008 - 14:08


O arcebispo de Luanda, D. Damião Farnklim, disse hoje à Agência Lusa que o Papa vem a Angola, em Março de 2009, dizer aos angolanos que é preciso continuar a "trilhar os caminhos da reconciliação nacional".


D. Damião Franklim adiantou em entrevista à Lusa que Bento XVI vai ainda dizer, durante os três dias da visita, de 20 a 23 de Março, que "a esperança continua na ordem do dia", para uma Angola melhor.

"É preciso trilhar os caminhos da reconciliação nacional, os caminhos para um desenvolvimento integral, os caminhos do trabalho, da seriedade, sem pôr de parte os valores éticos e morais", disse D. Damião Franklim, também presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST),

Esta visita está, por isso, revestida de "um peso transcendental" para o país, apontou o prelado.

D. Damião Franklim defendeu que a importância desta segunda visita de um Papa a Angola (a primeira foi protagonizada por João Paulo II em 1992) "fala por si só", e que consiste igualmente na "confirmação da fé" dos fiéis em Angola e de todos os angolanos.

O Papa vai "galgar uma grande distância para chegar a África" e isso, adiantou, "tem outro peso e outra dinâmica".

"Numa palavra, [Bento XVI] vem confirmar tudo aquilo que nós vimos fazendo", disse D. Damião Franklim, acrescentando que a confirmação desses passos, pelo Papa, cujas palavras têm uma "repercussão universal", irá conferir outro realce a esse trabalho.

Em Angola, considerou Franklim Damião, Bento XVI vai encontrar uma Igreja Católica composta por fiéis que "vivem a palavra de Deus e os sacramentos", que aplicam no seu dia a dia "aquilo que pede o Senhor".

"Todos nós somos limitados, mas na medida do possível a Igreja que o Papa vai encontrar, que vai visitar, é essa e não outra imaginária", frisou.

Bento XVI é o segundo Papa a visitar este país africano, depois de uma primeira efectuada por João Paulo II, em Junho de 1992, quando Angola perspectivava a saída com sucesso de uma prolongada guerra que acabou por não se confirmar, após o retomar das hostilidades logo após a primeira volta das eleições gerais.

De acordo com o arcebispo de Luanda, João Paulo II visitou Angola num momento "extremamente importante" para o país, numa altura em que observava um período de paz, com a assinatura dos acordos de Bicesse.

Bento XVI vai chegar a Luanda também num momento pré-eleitoral das eleições presidenciais que vão decorrer numa data ainda por anunciar em 2009.

"Bento XVI vem a Angola também seis anos depois dos acordos de Luena, passaram-se também as eleições e, por outro lado, numa altura em que Angola está a trilhar uma etapa toda ela particular, de desenvolvimento", salientou D. Damião Franklim.

O prelado referiu que, para além do comum da doutrina da Igreja, os angolanos esperam ouvir de Bento XVI "algo próprio" do seu "ser", para posteriores conclusões

"Embora todos os papas tenham algo em comum, cada Papa tem o seu estilo. Por conseguinte, nós esperamos ouvir algo de comum da doutrina da Igreja, mas também algo de próprio. E desse algo de próprio só poderemos tirar ilações quando ele, oxalá, cá estiver", disse.


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