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  Entrevista
Cubanos esperam que visita de Castro ajude a resolver os seus problemas
- 4-Feb-2009 - 14:30


Cubanos residentes em Angola esperam que a visita do Presidente de Cuba a Angola, que começa hoje, sirva para ajudar a resolver problemas ligados à imigração, como a burocracia e a dificuldade na obtenção de vistos de trabalho.


Adriana Batles Lanz, residente em Angola há 25 anos, manifesta à Agência Lusa a sua felicidade com a visita, pela primeira vez, do seu Presidente a Luanda, que termina sábado, e espera que a presença de Raul Castro sirva para “resolver alguns problemas” que a comunidade cubana em Angola enfrenta.

Entre esses problemas, esta imigrante cubana destaca a burocracia e a dificuldade de obtenção de vistos de trabalho.

“Gostaria que Angola e Cuba chegassem a um acordo porque a comunidade cubana em Angola não é política, é de irmandade. Estamos aqui por uma situação económica, à procura de emprego, de uma boa situação económica e ajudarmo-nos mutuamente”, justifica à Agência Lusa Adriana Lanz.

Para Adriana Lanz, a cooperação existente entre os dois países, que “nunca deixou de existir”, deve aumentar numa altura em que Angola se encontra numa fase de reconstrução e prosperidade.

“Estou aqui há 25 anos, tenho toda a família em Cuba e por isso desejo para o meu país o progresso”, diz ainda.

Noel Freire, outro cubano que vive em Angola há seis anos, considera “um passo importante” a visita de Raul Castro porque “as relações entre Cuba e Angola sempre foram as melhores e de certa forma estavam, actualmente, um pouco distanciadas”.

“É importante este passo que ele está a dar. Antes de Angola já esteve em outros sítios, e o país (Cuba) esteve parado no tempo. Não avançou mais. E é uma pena porque o potencial humano que temos é conhecido pelo mundo e esperamos que seja para bem”, salientou este director artístico de um grupo de dança latina.

Por seu lado, Josebel Castilho, a residir em Angola há cinco anos, filho de um ex-combatente cubano que em 1976, ao lado do regime do MPLA, participou na guerra civil, conta que o seu pai gostaria de regressar a Angola.

“O meu pai esteve cá em 1976 e gostaria de voltar cá, mas ainda não consegui trazê-lo para que ele ver como o povo angolano e Angola está a desenvolver-se”, diz este professor de educação física, que considera a visita de Raul Castro importante para “estreitar laços”.

As relações entre Cuba e Angola datam de 1975, quando Havana iniciou a ajuda militar ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), liderado por Agostinho Neto, na luta pela manutenção do poder, então disputado pela União Nacional para a Independência de Angola (UNITA), apoiada pelo regime de "apartheid" da África do Sul e pelos Estados Unidos da América.

Além do sector militar, Cuba também deu um apoio decisivo a Angola nas áreas da Saúde e da Educação, tendo desde 1976 passado por Angola cerca de 10 mil médicos, enfermeiros e pessoal técnico, enquanto o ensino mobilizou um total de 16.500 professores cubanos, tendo mais de 10 mil jovens angolanos feito os seus cursos em Cuba, com bolsas de estudo.

Com o fim da guerra civil em Angola, após a morte em combate do líder da UNITA, Jonas Savimbi, em Fevereiro de 2002, Cuba manifestou desde a primeira hora ao MPLA a disponibilidade para participar na reconstrução do país.

Em Setembro último, já depois das eleições legislativas em Angola, o embaixador de Cuba em Luanda, Pedro Ross Leal, afirmou que a vitória do MPLA iria consolidar ainda mais as relações entre os dois países.

"Já há cooperantes distribuídos pelas 18 províncias angolanas, que aumentarão na medida do incremento das tarefas de reconstrução executadas pelo Governo angolano", disse o embaixador em entrevista à Angola Press.


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