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  Brasil
Washington quer elevar nível das consultas regulares com Brasília
- 19-Jun-2003 - 16:35

Os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos vão estabelecer um novo sistema de consultas regulares entre os dois países durante o encontro que mantêm sexta-feira na Casa Branca.


José Pestana
da Agência Lusa

A informação avançada por fontes oficiais norte- americanas demonstra a importância que ambas as partes dão ao fortalecimento das relações bilaterais numa altura em que se aceleram as negociações para a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), prevista para 2005.

O encontro de sexta-feira, o segundo entre Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush, prova ainda o "pragmatismo" com que ambas as partes encaram as relações bilaterais, depois de a vitória eleitoral do presidente brasileiro ter provocado apreensão nos círculos governamentais norte-americanos.

Segundo fontes diplomáticas, a administração Bush ficou "agradavelmente surpreendida" com o pragmatismo do governo de Lula da Silva e a sua "boa governação", destacando o facto de o executivo brasileiro ter feito "um esforço claro para não deixar que impulsos ideológicos afectassem as relações com os Estados Unidos".

Washington quer "elevar" as relações com o Brasil de modo a que os contactos de alto nível sejam "uma norma", disseram fontes do Departamento de Estado.

Além das importantes negociações sobre a ALCA, que vão decorrer nos próximos meses e em que o Brasil e os Estados Unidos serão os principais interlocutores devido ao seu peso económico, Washington quer ver o Brasil com um papel mais activo nas questões regionais e propõe o aumento do nível das consultas bilaterais para analisar os problemas.

A guerra na Colômbia, o narcotráfico e a situação na Venezuela foram exemplos dados como "o tipo de problemas em que pode haver mais consultas entre as duas partes".

Com este objectivo, Brasília e Washington têm estado a discutir a possibilidade de elevar o mecanismo de consultas bi-anuais que já existe a nível de funcionários do Departamento de Estado e do ministério dos Negócios Estrangeiros brasileiro.

Mesmo assim, há ainda grandes diferenças entre as duas partes quanto à criação da ALCA até 2005, um dos grandes objectivos da política externa norte-americana para a América Latina.

Durante a campanha eleitoral, Lula da Silva afirmou que a criação do ALCA poderia levar "à anexação económica por parte dos Estados Unidos" e o Brasil mantém uma campanha para fortalecer blocos regionais, como o Mercosul, antes da entrada em vigor da ALCA.

O Brasil insiste ainda que a questão dos subsídios e protecção norte-americana a produtos agrícolas e outros tem de ser resolvida antes da formação da ALCA, mas Washington quer que algumas dessas questões sejam resolvidas em negociações com outros países da Organização Mundial do Comércio.

O Brasil argumenta que seria melhor nesse caso adiar a introdução da ALCA, numa posição que é apoiada por vários Estados latino-americanos.

Lula da Silva participou numa cimeira do Mercosul há poucos dias, em que os países membros reafirmaram o seu interesse na liberalização do comércio de produtos agrícolas.

Integram o Mercosul o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. O Chile e a Bolívia têm o estatuto de associado.

Na reunião de trabalho em Washington, sexta-feira de manhã, participam diversos membros de alto nível dos gabinetes governamentais dos dois países, seguindo-se um almoço entre os dois Presidentes.

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