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«Parlamento angolano
é um clube de amigos
e vai brincando às leis»

- 14-May-2009 - 11:22


«Eduardo dos Santos cospe sobre nós em nome de culturas vulgarmente proclamadas como livres e civilizadas», diz o presidente da Aliança Nacional em entrevista ao Notícias Lusófonas

Com a causticidade que lhe é peculiar quando à colação são trazidas a situação política, social e económica do País, o presidente do partido Aliança Nacional (AN) vem - mais uma vez (desta feita a segunda, depois de, em 2005, ter concedido a sua primeira entrevista ao NL) - às páginas deste jornal dizer o que a maioria dos angolanos pensa (e quando pensa!) em silêncio.


Laurindo Neto bota a boca no trombone e, sempre igual a si mesmo (é, quem nasce direito jamais entorta!), afirma que o Parlamento angolano está transformado num “Club de Amigos”, cujo brinquedo é a produção de matéria legislativa. Vai mais longe ao dizer, por exemplo, que o Ocidente está de acordo com a dominação, corrupção e práticas desumanas existentes em Angola.

Por Jorge Eurico

Notícias Lusófonas - Sempre defendeu, de forma irredutível, a ideia segundo a qual, o País vivia sob o símbolo da tirania. As eleições realizadas o ano passado fizeram-lhe mudar de ideias?

António Laurindo Neto - A farsa eleitoral confirmou o meu pensamento e alicerçou o ambiente tirânico.

- NL - Explique-se melhor.

LN - Ao estrangular o processo democrático, com falta de precisão na realização das eleições e respeito pela norma constituinte, sendo criado um Tribunal Constitucional 30 anos depois da substituição do poder colonial, configurando o mesmo Tribunal em conflito de interesse, submetendo a Imprensa à vontade e interesses do regime, entre outros confirma a tirania. Ao transformar o Parlamento num “Club de Amigos” alicerça a tirania que terá como último brinquedo a produção de matéria legal.

NL - Como se traduz este ambiente tirânico?

LN – A vergonha que cobre a chamada camada intelectual traduz este ambiente. Chamados a tergiversar quanto ao estado da situação, louvaram hinos ao processo eleitoral e aos seus resultados, para logo à seguir clamarem sobre situações calamitosas que assolam o País há décadas. Isto é feio porque nem responsabiliza à população mas mais às suas elites. O rubor e o sentimento de humilhação cobrem até àqueles que foram chamados a opinar sobre os “Cem dias de Obama”, sem que pudessem falar sobre “os 30 anos da Nova opressão e do estado calamitoso do País”. Isto é tirania

NL - A camada intelectual tem culpas.

LN - Não tem culpas. Mas tem responsabilidades. A tirania e a ditadura são respaldados por indivíduios tidos como intelectuais. Faço ressalva na expressão para não ferir indevidamente. Neste ambiente de falsificação social falar de intelectuais e de sociedade civil é complicado.

NL – Os políticos na Oposição, onde o senhor está incluindo, cabem nesta acusação?

LN - A oposição tem militantes, a situação possui militares. É uma relação difícil. Assim sendo, indivíduos como eu - aceito - não encontram espaço no debate contraditório. Não têm acesso à divulgação do esquemas corruptivos que minam o Estado e a Nação. Não conseguimos a sensibilidade internacional, como sabe confusa entre a crise económica e a crise moral.

NL – Quer com essa afirmação desreponsabilizar a Oposição?

LN - Quero com essa afirmação testemunhar que Oposição nos moldes configurados pelos militares e aprovada tacitamente pela Diplomacia acreditada é apenas uma expressão de estilo. Surgem para cobrir a nossa existência os fazedores da "opinião encomendada".

NL - Quem são os fazedores de “opinião de encomenda”?

LN - São todos aqueles que aclamaram uma suposta vitória eleitoral para logo a seguir falarem de martelos demolidores contra a população; falta de higiene pública; falta de cidadania; clamam contra doenças erradicáveis etc. ou seja clientes do regime, que acabam por envergonhar a nação angolana. Décadas de má gestão, homicídios publicamente conhecidos sem resolução, corrupção e intimidação mal camuflados, desconhecimento dos destinos da electricidade, petróleo, combustíveis, o que chamar a isto?

Castigar negros é o que me aborrece

NL – Não está a pintar um quadro muito negro do País pós-eleitoral?

LN - Bom, o País tem que possuir muitos negros! Castigar os negros é que me aborrece. É preciso que o mundo conheça isso: Um presidente não eleito está hoje (a entrevista foi feita dia 11 de Maio) a assistir ao empossamento do presidente da maior potência regional (Áfricado Sul). Colocou em sentido as instituições democráticas de vários Estados ocidentais sob o mesmo engodo da falta de condições para a realização dos pleitos eleitorais. O que o mundo deseja fazer connosco?

NL - Quer responder a pergunta que deixa no ar?

LN - Falou-se num novo mundo a partir do 11 de Setembro. É esse? Apoio claro às ditaduras africanas, recuo claro diante de outras ditaduras em nome da crise. Relações de estratégia entre regimes democráticos e ditaduras verdadeiramente inúteis? Ditaduras sem sentido de Estado e de humanismo, para mais tarde irem à procura de terroristas. Serão terroristas os que tentarem contribuir para um mundo mais justo? Eu respondo que o nosso problema é esse. Lutamos em muitas frentes, sendo a maior delas a insensibilidade mundial.

NL - Está a dizer que o Ocidente cauciona a situação que presente se vive em Angola?

LN - Para todos os efeitos José Eduardo dos Santos é o Chefe de Estado angolano. Cessam os mesmos para efeitos de exercício temporal. Dobra e cospe sobre nós, mas fá-lo também sobre certo tipo de culturas vulgarmente proclamadas como livres e civilizadas. São elas que estão desnecessariamente expostas neste jogo de ambições exacerbadas, postergando as suas convicções em favor de práticas por si condenadas. É nisto que consiste a Arte do Possível, em que se torna possível condescender em todas as latitudes até no domínio das convicções. Na Nova Ordem Mundial é possível estar-se de acordo com dominação, corrupção e práticas desumanas. É claro, em nome das relações Estado a Estado, porque isso de relações Povo a Povo não é muito lucrativo por estes tempos.

NL - Qual é o sentimento do Povo angolano em relação a tudo isso?

LN - De raiva, de impotência, perante o desequilíbrio e a incoerência. Mas vai contornar.

NL - Vai contornar quando e como?

LN - Não somos fadados pelo pessimismo. A situação de dominação não é nova entre os angolanos. Fazemos parte de um Povo com tradição de luta, o que me possibilita a antevisão.

NL - Quando é que acha que essa situação poderá acabar?

LN - Depende do curso da História. Não estamos sozinhos. É preciso aguardar por catalisadores de mudança. Em França há sinais que levam à adopção de medidas contra riquezas ilícitas acumuladas por poderes públicos. Quem sabe todo o espaço europeu se lembre que exista legislação nesse sentido. No Brasil o cidadão está assumindo com garra a sua História. Chineses expatriados brutalmente poderão catalisar mudanças... Cubanos com oportunidade de conquistar a dignidade junto de outros povos, poderão fazê-lo... Em Portugal o Bloco de Esquerda dá sinal de consonância para com a sua História. Os Estados Unidos esquecidos do seu papel estão atravessando uma fase de redefinição da potência. É isso o mundo actual.

Situação social e económica do País é catastrófica

NL - Como caracteriza a actual situação social e económica dos angolanos?

LN - Catastrófica. O esquema de agradar excessivamente os de fora como táctica de entronização a partir do exterior está a rebentar com a economia do País... Vender energia para os outros e ver o cidadão morrer nas estradas sem iluminação é um truque que não durará sempre. Redefinir a arquitectura com recurso a poços, geradores, electro e moto bombas, pode ser lucrativo nas relações comerciais com o exterior mas aproxima o cidadão da ira. Oferecer um Novo Código de Estrada para uma Velha Conduta Governativa distrai mas não é solução. Temos que ser coerentes e verdadeiros. À Oriente não existe essa vocação, pelo menos nos termos definidos por outras civilizações - mas existiu a cultura da solidariedade. O problema é: numa altura em que a situação passou a ser extraordinariamente favorável à economia, haverá lugar para o humanismo?

NL - Como vai o processo de desarmamento da população armada pelo MPLA em 1992?

LN - Felizmente para mim a pergunta contém a resposta. Aquela faixa da população deve ter recebido lubrificantes para a conservação dos meios à sua disposição. A outra, para conforto do regime, foi para os ghetos de onde se poderão defender com lamentações. O controlo da actividade económica, o controlo dos recursos naturais e a criação de barreiras com o objectivo de inviabilizar a realização do capital por parte de quem não é situacionista é evidente. A falta de segurança pública é gritante. A deficiente administração pública é chocante.

NL - No meio de tudo isso, qual foi (é) a sorte do seu partido a Aliança Nacional?

LN - Foi a de ser uma organização detestada e imprópria para o Circo. Logo não foi "abençoada" com a extinção. Mas conheceu igualmente a humilhação geral. A gestão das nossas vidas, por forma a abafar o conhecimento e a vontade, por forma a precipitar a nostalgia, atinge a todos. Abstracção, suicídios, desenganos, serão o dia-a-dia de quem pugne pela auto estima. O partido em si procurará continuar os seus passos. Os cidadãos dirão o que querem em termos de pluralismo. Mesmo que eu acredite estar a acabar a intervenção. Clemenceau afirmou um dia que “Democracia é o piolho comendo o leão”. A tese está a ser escrupulosamente seguida por gente com poder em África, a ponto de se acreditar que ela não enche barriga. O que virá a seguir? Essa situação apesar de aparentemente esquecida poderá provocar sobras no xadrez político, uma vez que partidos não são ilegalizados, mas compulsados do Tribunal em que se inscreveram. A actividade respaldada na Lei tem o cunho do poder instituído. Quando se exerce apenas com a vontade dos oprimidos, tem o cunho do perigo, mas não está necessariamente posta de parte. Esta é uma das consequências da má Administração Pública do nosso País.

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