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  Cabo Verde
Classe política expectante em relação à visita de delegação da ONU
- 26-Jun-2003 - 16:26

A classe política guineense está expectante em relação aos resultados da visita de três dias que uma delegação do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho Económico e Social das Nações Unidas (ECOSOG) inicia sexta-feira ao país.


Mussá Baldé
da Agência Lusa

A delegação é composta por 33 elementos - entre eles 20 embaixadores junto da ONU, membros do ECOSOG e técnicos do Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - e é esperada em Bissau para uma série de contactos com as autoridades guineenses, partidos políticos e representantes da sociedade civil.

A expectativa é grande no seio da oposição, que tem também uma certa "curiosidade" pelo número de pessoas que integram a delegação, "o que, por si só, significa que, na Guiné-Bissau, alguma coisa de grave se passa", considerou Daniel Gomes, porta-voz do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

"O PAIGC pensa que, desta vez, os actores políticos guineenses se devem curvar perante tamanha demonstração de atenção por parte da comunidade internacional e também tudo fazer para desanuviar o ambiente de tensão política que se vive no país", sustentou Daniel Gomes, em declarações à Agência Lusa.

Para o porta-voz do PAIGC, a missão "deve falar claro" com o presidente guineense, Kumba Ialá, quanto à necessidade de marcação de uma data definitiva para a realização de eleições legislativas, que já foram, por duas vezes, agendadas e adiadas.

Opinião idêntica é a de Agnelo Regala, vice- presidente da União para a Mudança (UM), ao considerar que a vinda da delegação "demonstra o carinho" que a comunidade internacional "ainda reserva à Guiné-Bissau e a certos países desta sub-região africana", mergulhada em violentos conflitos armados e étnico-religiosos.

O dirigente da UM considera, contudo, ser esta "uma derradeira oportunidade" para a Guiné-Bissau, que "deve ser aproveitada para resgatar alguma credibilidade do país".

Agnelo Regala afirma, porém, ser "decisivo" para o sucesso da missão uma conversa "séria e franca" com Kumba Ialá, que "é o empecilho número um do todo o processo" de construção da democracia na Guiné-Bissau.

Já para Antonieta Rosa Gomes, líder do Fórum Cívico Guineense-Social Democracia (FCG-SD), o facto de a comunidade internacional fazer deslocar uma importante delegação para um país nas condições da Guiné-Bissau "é sinal de preocupação", mas também "de responsabilidade dos actores políticos" desse mesmo Estado.

A única mulher à frente de um partido político na Guiné-Bissau recomenda à missão da ONU que aconselhe o presidente Ialá a aceitar a via do diálogo com as forças políticas da oposição sobre a necessidade de procura de "soluções consensuais", pois esta será a única forma de fazer face aos "graves problemas" que afectam o país.

Neste âmbito, Antonieta Rosa Gomes disse à Lusa que vai encorajar a missão da ONU no sentido de tudo fazer para convencer Kumba Ialá a abraçar a ideia avançada pela oposição para a formação de um governo de consenso nacional.

Essa administração seria integrada por quadros independentes, não vinculados a partidos, com a tarefa exclusiva de organizar eleições num prazo de 90 dias a contar da data da sua entrada em funções.

Baptista Correia, porta-voz do Partido da Renovação Social (PRS), no poder e fundado por Kumba Ialá, considerou que a missão da ONU é "bem-vinda".

O dirigente do PRS sublinhou estar esperançado de que a visita possa trazer as respostas às solicitações de apoios financeiros e materiais, "feitas por diversas vezes pelo Presidente da República" à comunidade internacional, para o arranque do processo eleitoral.

"Mas também vamos dizer à comunidade internacional que queremos que as eleições se façam no mais curto espaço de tempo possível", afirmou o porta-voz do PRS, sublinhando que o seu partido está em condições de tranquilizar a missão das Nações Unidas de que as eleições "serão livres, justas e transparentes".

A missão, que chegará à capital guineense na manhã de sexta-feira, é chefiada pelo embaixador do México na ONU, Adolfo Aguiler Vinser, em representação do Conselho de Segurança, e por Domicien Khumalo, da África do Sul, em representação da ECOSOG, devendo permanecer na Guiné-Bissau até domingo, seguindo depois para a Nigéria.

Inicialmente, foi anunciado que a missão da ONU chegaria hoje a Bissau, mas, por razões não divulgadas, tal só acontecerá sexta-feira.

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