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  Comunidades
Governo português manifesta «profunda preocupação»
- 5-Jun-2009 - 20:26


Portugal acompanha com "profunda preocupação" os acontecimentos na Guiné-Bissau, que atribui ao "clima de impunidade" existente, disse hoje à Lusa o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho.


Contactado telefonicamente a partir de Lisboa para Nova Iorque, João Gomes Cravinho salientou que as forças armadas guineenses "não estão à altura das suas responsabilidades", e defendeu a realização das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, marcadas para o próximo dia 28.

Os ex-ministros guineenses Hélder Proença e Baciro Dabó, este último candidato às presidenciais antecipadas, foram mortos na madrugada de hoje, em tiroteios com "as forças da ordem", por alegada participação numa tentativa de golpe de Estado na Guiné-Bissau, revelada, em comunicado, pela Direcção-Geral de Informação do Estado da Guiné-Bissau.

Estes incidentes, em que também estão envolvidos mais de uma dúzia de outros políticos e elementos das forças armadas, registam-se na véspera do início da campanha eleitoral para as presidenciais do próximo dia 28.

Para João Gomes Cravinho, os acontecimentos de hoje na Guiné-Bissau representam "um sinal de alguma continuidade na instabilidade política no país".

"Estamos preocupados com o paradeiro de Faustino Imbali, antigo primeiro-ministro, de Roberto Cacheu, ex-secretário de Estado, e de várias outras pessoas cujo paradeiro exacto não é neste momento conhecido", salientou.

O governante português apelou, por outro lado, às autoridades, "particularmente às forças armadas para que saibam garantir a segurança dessas pessoas".

"Vivemos, infelizmente ao longo deste ano, um clima de terrível impunidade na Guiné-Bissau. Os acontecimentos desta madrugada inserem-se nesse contexto de impunidade", vincou.

O secretário de Estado português adiantou que tem contactado "várias entidades" nas Nações Unidas, em Nova Iorque, "no sentido de se procurar angariar apoios internacionais para a Guiné-Bissau", mas, lamentou, "é muito difícil fazê-lo neste clima".

"Estes eventos tornam bastante mais difícil o trabalho daqueles que querem apoiar a Guiné-Bissau", acrescentou.

João Gomes Cravinho acrescentou que vai reunir-se ainda hoje com os embaixadores dos países da Comunidade de Países de Língua Português (CPLP) para debater a situação na Guiné-Bissau.

A CPLP, acentuou, "é o nosso primeiro círculo de coordenação. É com os países da CPLP que estamos a trabalhar".

Relativamente ao envio de um contingente militar para a Guiné-Bissau, João Gomes Cravinho considerou que essa não é a solução.

"Penso que uma das raízes do problema é precisamente o facto das Forças Armadas (guineenses) não estarem à altura das suas responsabilidades. Há um consenso absoluto quanto à necessidade de uma reforma do sector de segurança. Agora, isso não significa que uma intervenção militar estrangeira seja a melhor forma", defendeu.

"Julgo que não é claro que (a Guiné-Bissau) precise de uma intervenção militar estrangeira. Mas vamos ver como é que as coisas evoluem", sustentou.

A Guiné-Bissau tem eleições presidenciais marcadas para o próximo dia 28, mas apesar dos acontecimentos de hoje, o escrutínio deverá manter-se.

"Continuo a acreditar que há condições (para a realização das eleições), porque o problema não reside na instabilidade popular. Reside antes no círculo de insegurança que existe no meio político e no meio militar", considerou.

"O povo tem demonstrado enorme serenidade, tranquilidade, e sentido de responsabilidade. É justo que a população da Guiné-Bissau tenha oportunidade de escolher os seus representantes, mas também não temos dúvidas que o acto eleitoral possa servir para resolver todos os problemas do país. Seria irrealista imaginar isso", frisou.

Entretanto, fonte da Secretaria de Estado das Comunidades disse à Lusa que "os acontecimentos das últimas horas não afectaram a comunidade portuguesa" residente naquele país.

Residem na Guiné-Bissau entre 500, sobretudo cooperantes, e 2 mil portugueses, se forem consideradas as duplas nacionalidades.


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