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Colunistas
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Eugénio Costa Almeida
Guineenses deram um voto de protesto?
Acredito que a forte abstenção, que rondou mais de 40% e se tornou num record na Guiné-Bissau, não ter-se-á devido só à chuva que fez a sua aparição só no final da manhã, em várias partes do País, mas a outros e significativos factores que devem ser analisados e ponderados, como por exemplo os que se seguem.
Uma, talvez, se deve à eventual descrença que os Bissau-guineenses já têm da sua classe política e da sua Justiça que não consegue descobrir os autores dos assassinatos de Nino Vieira, de Na Waié – o ministério da Justiça, no início de Maio, previa a apresentação de um relatório sobre as referidas mortes num prazo de uma semana e já lá vão quase dois meses –, de Baciro Dabó, ou Hélder Proença ou onde se encontram aqueles que estão algures em parte incerta, embora sob custódia conhecida.
Poder-se-ia pensar que uma parte significativa dos abstencionistas apoiavam ou o candidato assassinado ou algum dos dois(?) desistentes, pois poder-se-ia, e naturalmente, assim pensar, mas não será reduzir a dúvida ao seu mais baixo valor?
Por outro lado também não me parece viável a ideia que os Bissau-guineenses já sabendo que a vitória poderá pender para um dos três candidatos favoritos, Bacai Sanhá, apoiado pelo aparelho de Estado e do partido PAIGC, Moammed Kumba Yalá, que joga na questão étnica, ou não pertencente ele à maior comunidade do País, e que já verborreava vitória, ou Henrique Rosa, antigo presidente interino, que ia como independente, achassem que mais voto menos voto as contas estariam feitas… e se alguém assim pensa, é porque algo de muito grave está acontecendo e é preocupante.
Mas quer-me parecer que o voto vencedor, a abstenção, foi um voto de protesto e de cansaço e não uma fuga ou uma clara mostra de desânimo nas instituições democráticas, ou aparentemente democráticas, da Guiné-Bissau.
Pelo menos de duas coisas os Bissau-guineenses parecem ter para estarem minimamente felizes.
Os observadores, apesar de alertarem para factos menos correctos como urnas não seladas, mas que tinham a presença de representantes dos candidatos junto das urnas o que garantiria uma maior credibilidade ao acto, consideraram que houve um espírito cívico e uma boa organização que se deve louvar (ora aqui esteve uma boa oportunidade de Portugal ter mandado mais observadores para aprender como foi, por causa das suas próximas eleições; o que se passou no passado sábado entre adeptos do Benfica e do Sporting não pressagia nada de bom…).
E também o facto de nenhum candidato se ter apresentado como o vencedor – salvo o caso de Kumba em pleno acto eleitoral. Mas dele já tudo esperamos…
Vamo-nos a limitar esperar pelos resultados que a CNE local prevê possam estar afixados na próxima quinta-feira.
29/Junho/2009
elcalmeida@gmail.com
http://elcalmeida.net
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