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  Brasil
Futuro de Portugal passará pela China
- 10-Jul-2009 - 23:09


200 empresários chineses participam amanhã no Fórum de Cooperação Económica e Comercial

Empresários e analistas são unânimes ao considerar que a China é "um país incontornável" para Portugal como mercado de futuro, mas o investimento português no gigante asiático é "ainda limitado" e o fluxo comercial pequeno.


"A China é incontestável para a estratégia portuguesa de diversificação de mercados fora da União Europeia, com vista a uma retomada mais dinâmica de Portugal, após a saída da crise. Mas, por enquanto, o investimento neste país asiático é limitado e o comércio está também aquém do seu potencial", disse à Agência Lusa o director da consultora Edeluc, Fernando Costa Freire.

Cerca de 200 empresários chineses deslocam-se a Lisboa para participar, amanhã (sábado), no Fórum de Cooperação Económica e Comercial Portugal-China, que será realizado apesar do cancelamento da visita do presidente chinês.

Portugal, que tem "gradualmente rompido e com sucesso nos últimos anos", com uma estratégia "muito focalizada" nos países-membros da União Europeia (UE), aposta na diversificação dos mercados de destino das exportações, assinalou uma fonte oficial portuguesa.

No entanto, a China, no conjunto dos países fora da UE com quem Portugal mantém fluxos comerciais, ocupa uma posição pouco expressiva, em valor e quantidades, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Nos quatro primeiros meses deste ano, o défice comercial bilateral foi de 297,7 milhões de euros. Menos 4,5% quando comparado com o mesmo período do ano anterior e uma situação que poderá mudar com o crescimento económico chinês.

Um estudo dos analistas da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) indica que "as previsões para a China [nos próximos anos] apontam para uma desaceleração significativa do Produto Interno Bruto face a 2008 mas, ainda assim, com fortes taxas de crescimento, em nada semelhante às recessões projectadas para os EUA, UE e Japão".

O Banco Mundial espera que a China cresça 7,2% neste ano, enquanto os analistas da OCDE - Organização para o Cooperação e Desenvolvimento Económico, estimam que o crescimento se situe um pouco abaixo dos 9%, além de um aumento expressivo da procura interna nos próximos dois anos.

O estudo indica também que a classe média - que atinge já os 120 milhões de pessoas ou 9,4% do total dos cidadãos chinês - deverá representar 21,2% do total da população do país em 2015.

Com este crescimento, é de prever um aumento do poder de compra, adianta o documento, que alerta por isso para o facto de a China já não ser apenas "uma base de produção de custos baixos".

Uma outra perspectiva é dada pelo director do Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa: "A China tem manifestado um alto apreço pelo papel de Portugal na promoção das relações sino-UE, apostando na Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para reforçar as relações empresariais com os países da lusofonia, sobretudo Angola e Brasil”.

Um outro trabalho sobre a China, elaborado pela Espírito Santo Reasearch, posiciona as vendas portuguesas para o gigante asiático na sétima posição de entre os 13 países-chave fora da UE escolhidos para diversificar as exportações portuguesas.

Angola lidera estes mercados de destino com perto de 2 bilhões de euros em 2008, seguindo-se os EUA (1,4 bilhões de euros) e, na sétima posição, a China com um valor estimado em 180 milhões de euros.


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