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Um ano de presidência portuguesa da CPLP
- 16-Jul-2009 - 17:00
Situação na Guiné-Bissau marca a actividade da comunidade lusófona
A VII Cimeira da comunidade lusófona (Lisboa, Julho de 2008), passou à história como a "Cimeira da Língua", mas, apesar de supostos progressos neste domínio, o primeiro ano da presidência portuguesa ficou marcado pela crise na Guiné-Bissau.
Após os assassínios do presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira, e do chefe de Estado das Forças Armadas, Tagmé Na Waie, no início de Março, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) chamou a si o protagonismo para evitar o descalabro no país e a transição para um processo de eleições presidenciais, cujo desfecho decorre no dia 26.
Horas depois dos atentados, o secretário-executivo da organização, o guineense Domingos Simões Pereira, partiu para a Guiné-Bissau, acompanhando numa missão da CPLP o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português e o chefe da diplomacia cabo-verdiana, para contactos com a liderança política e militar guineense e com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
O papel da CPLP poderia ter sido ainda mais interventivo, caso as autoridades guineenses tivessem aceite a proposta de reforçar com membros da organização a comissão de inquérito sobre os assassínios.
O envio de uma força de paz internacional também esteve em cima da mesa, e, apesar da oposição das autoridades guineenses, foi defendido por vários governantes de estados-membros, como Portugal.
O projecto de promoção e valorização da Língua Portuguesa esteve em destaque na Declaração de Lisboa, poucos dias depois de o Governo português ter dotado com 30 milhões de euros o Fundo da Língua Portuguesa, e de o presidente brasileiro, Lula da Silva, ter sublinhado a necessidade de reforma do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), na Praia, considerado inoperante.
Depois de erguida a "bandeira" da língua, o chefe de Estado português, Cavaco Silva, presidente em exercício da organização, rumou em Setembro a Nova Iorque, onde teve um almoço de trabalho com os presidentes do Brasil, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste; o "prato forte" foi a promoção do português como língua oficial das Nações Unidas e nas suas agências.
Mas o motivo da viagem a Nova Iorque era o discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, que o presidente português aproveitou para questionar a razão de se continuar a ter um Conselho de Segurança que nega lugar permanente a países emergentes como o Brasil.
As habituais reuniões sectoriais foram intensificadas no último ano, com destaque para a Saúde, através de um plano, assinado em Maio em Lisboa, que prevê a cooperação multilateral dos estados-membros, com o objectivo de melhorar as condições de vida das populações.
A actual oportunidade estratégica da organização tem sido identificada por investigadores como José Adelino Maltez (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas) ou Armando Marques Guedes (Universidade Nova): afirmar-se como fórum de referência no Atlântico Sul, área de crescente importância onde o português é a língua mais falada; mas a promoção da língua compete ao IILP, cuja inoperância rivaliza com a do Conselho Empresarial da CPLP.
Se em relação ao primeiro se espera o lançamento de uma reforma interna no Conselho de Ministros da CPLP em Cabo Verde (19 e 20 de Julho), já o futuro do órgão empresarial deverá passar pela criação de uma confederação, mais abrangente e representativa da realidade empresarial dos "oito".

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