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CNE retira bandeira nacional de campanha cívica para evitar confusões
- 16-Jul-2009 - 23:24
A imagem da bandeira da Guiné-Bissau utilizada pela Comissão Nacional de Eleições para acções de educação cívica foi retirada porque os eleitores a confundem com a do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), explicou hoje o porta-voz da CNE, Orlano Viegas.
Orlando Viegas sublinhou hoje à Agência Lusa que a instituição "foi obrigada" a retirar todos os elementos visuais (bandeiras, bandeirolas e camisolas) que tenham os símbolos iguais às cores da Guiné-Bissau, vermelha, amarela e preta, para "não criar mais confusão aos eleitores".
Durante a primeira volta das eleições presidenciais, a CNE utilizou na campanha de educação cívica aos eleitores cartazes, camisolas, dísticos e bandeirolas estampadas com as cores da bandeira nacional.
"Acabámos por constatar que as cores da bandeira nacional, que tínhamos como elemento que simboliza a unidade nacional, criou-nos imensos problemas porque essas cores têm a semelhança com as cores do PAIGC", explicou Orlando Viegas.
De acordo com este responsável, em algumas localidades, os agentes da educação cívica da CNE "foram mesmo corridos" porque a população entendeu que "era o PAIGC a fazer a sua campanha política".
"Verificou-se no terreno uma grande resistência, os nossos agentes da educação cívica acabaram por não atingir várias localidades com a sua acção de sensibilização aos eleitores", disse ainda o porta-voz da CNE.
Para Orlando Viegas, os 40 por cento da taxa da abstenção registada na primeira volta poderá ser associada ao facto de a população, em certas localidades, rejeitar ouvir os apelos ao voto dos agentes da educação cívica.
"Nalgumas zonas, os agentes foram corridos, não houve sensibilização, por conseguinte as pessoas acabaram por não ir votar e isso contribuiu imensamente para a taxa de abstenção na primeira volta, o que estamos já a tentar corrigir", declarou Orlando Viegas.
Por seu lado, o porta-voz do Partido da Renovação Social (PRS), Joaquim Batista Correia, considerou a posição da CNE "bem-vinda" porque, afirmou, a questão da bandeira nacional "é um dilema".
"A maioria da nossa população da Guiné-Bissau é analfabeta, psicologicamente joga mais a cor do que as letras. A bandeira nacional confunde-se com a bandeira do PAIGC e isso não pode acontecer em democracia. O PAIGC tem vindo a tirar proveito desse pormenor", sublinhou Batista Correia.
Malam Bacai Sanhá, candidato do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), e Kumba Ialá, do PRS, disputam a segunda volta das eleições presidenciais no próximo dia 26 de Julho deste ano.

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