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Economias da CPLP em avaliação profunda
- 6-Nov-2002 - 15:31

O desenvolvimento dos mercados africanos, sobretudo dos países de língua portuguesa, passa por uma avaliação aprofundada das capacidades de cada Estado para que se concretize um crescimento efectivo das economias, foi hoje defendido numa conferência em Lisboa.

A afirmação é da secretária de Estado adjunta do ministro da Economia, Dulce Franco, que abriu uma conferência subordinada ao tema «Expansão da economia portuguesa nos mercados emergentes de expressão portuguesa em África», patrocinada pela revista «África Hoje».

Nesse sentido, e tendo em conta que os cinco Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) têm realidades diferentes, para além de haver uma descontinuidade regional, o empresariado deve apostar, tal como as organizações internacionais, nas técnicas do comércio multilateral inseridas nos processos de integração regional, sublinhou Dulce Franco, presente na conferência em representação do primeiro-ministro, José Manuel Durão Barroso.

«A consolidação da paz em Angola, o fim da instabilidade política na Guiné-Bissau, a recuperação económica em Moçambique e a maturidade dos processos democráticos em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são exemplos dessa diversidade», sublinhou.

E é aí, acrescentou, que os empresários portugueses devem apostar, pois a crescente abertura das economias africanas mostra um enorme potencial de mercados onde a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) deve também investir.

«As vantagens acrescidas aos apoios regionais, as missões económicas com delegações empresariais em conjunto com as sociedades promotoras de investimento, como já existe em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, são condições essenciais para o desenvolvimento das economias africanas», concluiu.

Por seu lado, e já na abertura dos trabalhos ligados ao tema «A Perspectiva dos Mercados Emergentes em África Face à Globalização da Economia», o secretário executivo da CPLP, João Augusto de Médicis, falou sobre o papel da CPLP nos mercados emergentes em África.

Defendeu, nesse contexto, uma maior participação e troca de informação entre os empresários dos «oito» de forma a que sejam criadas condições para a constituição de «parcerias fortes e estratégicas na nova era da globalização».

«A agilização da legislação de cada um dos países cria confiança ao investidor e a aposta na formação profissional, a par de uma boa governação e de estabilidade política, cria um clima de confiança para onde o sector privado se virará, com certeza, para apoiar o crescimento desses países», sustentou o diplomata brasileiro.

João Augusto de Médicis lembrou ainda a próxima criação do conselho empresarial da CPLP, a ser constituído no próximo ano no Brasil na reunião do Fórum empresarial da organização, como forma de envolver os agentes económicos no crescimento das economias emergentes africanas.

Desta forma, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe estão presentes através de responsáveis das respectivas embaixadas em Lisboa, enquanto a Guiné-Bissau está representada pelo antigo secretário-geral do Tesouro José Biai e Angola pelo coordenador da Comissão do Projecto de Investimento Carlos Feijó.

Também a sessão de encerramento, que contava com a presença do presidente da República português, Jorge Sampaio, foi alterada à última hora, e será presidida pelo secretário executivo da CPLP.

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