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  Cabo Verde
Guiné-Bissau escolhe hoje Bacai Sanhá ou Kumba Ialá
- 26-Jul-2009 - 10:00


Enviado especial da União Africana, João Miranda, diz que há alguma tranquilidade nos espíritos dos eleitores guineenses

Os 593.765 eleitores da Guiné-Bissau escolhem hoje o futuro Presidente do país entre dois antigos chefes de Estado, num processo eleitoral que teve início a 28 de Junho com a realização da primeira volta das eleições presidenciais. Depois de uma campanha eleitoral tranquila e sem registo de qualquer incidente, os guineenses vão votar em mais de 2000 assembleias de voto espalhadas pelas nove regiões do país.

Siga o noticário das eleições na secção "Guiné-Bissau"


Disputam a segunda volta do escrutínio, Malam Bacai Sanhá, apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder), e Kumba Ialá, apoiado pelo Partido de Renovação Social (PRS, maior força da oposição).

Pelo menos 140 observadores eleitorais de vários países e organizações internacionais vão acompanhar a segunda volta das eleições presidenciais. A União Europeia enviou uma missão de observação eleitoral liderada pelo eurodeputado belga Johan Van Hecke, que vai chefiar 21 elementos. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) acompanha o escrutínio com pelo menos 14 observadores.

Além dos observadores da CPLP e da União Europeia, o Gabinete da ONU de Apoio à Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNOGBIS) vai coordenar 103 observadores eleitorais.

Os 103 observadores pertencem à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), União Económica Monetária da África Ocidental (UEMOA), União Africana, Comunidade dos Estados Saaro-Sahelianos, Organização da Francofonia e Rede Africana para a Defesa dos Direitos Humanos, bem como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Japão e Islândia.

A Guiné-Bissau realiza eleições presidenciais antecipadas após o assassínio do Presidente João Bernardo "Nino" Vieira, a 2 de Março, horas depois do chefe das Forças Armadas ter sido morto num ataque à bomba.

Enviado da União Africana fala de tranquilidade

O enviado especial da União Africana para a Guiné-Bissau, João Miranda, disse que há alguma tranquilidade nos espíritos dos eleitores guineenses e que nada deve perturbar a ordem das eleições presidenciais de hoje no país.

"Segundo podemos apurar, há boa disposição da população em ir às urnas, os últimos comícios realizados pelos candidatos mostraram que haverá menor número de abstenção e isso mostra que há alguma tranquilidade no espírito das pessoas para irem às urnas", afirmou João Miranda, ex-ministro das Relações Exteriores de Angola.

"Tem havido muitos rumores, mas também temos vindo a ser tranquilizados pelas autoridades, nomeadamente, do comando unificado das forças de ordem, de que os rumores não passam de rumores e que nada em princípio vai perturbar a ordem e curso, que se espera tranquilo, deste acto eleitoral", salientou João Miranda.

Sobre o encontro que realizou sábado com os dois candidatos às presidenciais de hoje na Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá e Kumba Ialá, João Miranda disse estar "particularmente satisfeito".

"Das conversas que tivemos com os líderes dos partidos (...) fiquei com boas razões para estarmos satisfeitos", disse, sublinhando que ambos os candidatos afirmaram que vão aceitar os resultados eleitorais.

Questionado sobre os peritos para assessorar a comissão de inquérito nacional para investigar o assassínio do Presidente João Bernardo "Nino" Vieira, morto a 02 de Março, João Miranda explicou que os trabalhos estão em curso.

"Os trabalhos preparatórios estão em curso para que se efective essa assessoria. Neste momento, é claro que temos de esperar o término desta fase eleitoral. Vamos esperar a investidura e depois de termos um líder do país, tudo andará mais rápido, eventualmente", disse.

João Miranda referiu igualmente que não pode avançar com uma data exacta para o início da assessoria, mas que o que "deve ser feito deve ocorrer depois da investidura do Presidente da República" da Guiné-Bissau.

Sobre o eventual envio de uma posicionamento de estabilização para a Guiné-Bissau, o enviado especial da UA explicou que "essa questão nunca foi colocada de maneira formal por entidade como a União Africana ou a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental às autoridades guineenses".

"O que quer dizer que não podemos afirmar de modo algum que essa ideia esteja de todo afastada ou que essa ideia terá sido alguma vez ventilada de forma clara pelas instâncias da UA ou da CEDEAO de que irão enviar forças para a Guiné-Bissau", esclareceu o enviado especial da UA.


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