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  Entrevista
Ramos-Horta critica «sabichões do mundo» que duvidam do futuro do país
- 27-Jul-2009 - 10:19


O Presidente timorense, José Ramos-Horta, criticou os anglófonos "sabichões do mundo" que apresentam dúvidas sobre o futuro de Timor-Leste e lembrou os números do desenvolvimento do país, após 24 anos de ocupação indonésia.


Por José Costa Santos
da Agência Lusa

Numa entrevista à agência Lusa em Díli, Ramos-Horta disse achar "imensa graça" às pesquisas, investigações e opinião de académicos e organizações não-governamentais, que apontam Timor-Leste como um estado falhado, e voltou a recorrer a um argumento já usado em declarações à "Foreign Policy", quando se referiu a "alguns 'génios' norte-americanos e europeus", que "parecem esquecer-se que Timor-Leste, juntamente com a China, está a financiar a dívida norte-americana".

Na entrevista à Lusa, o Presidente timorense sublinhou que há organizações, sediadas em Londres, Washington ou Nova Iorque, que parecem ser os "sabichões do mundo".

"Arvoraram-se em serem eles a prescrever para o resto do mundo como é que o mundo deve ser sob o prisma e sob a lente do inglês ou americano", afirmou.

Reconhecendo que nem tudo correu bem em Timor-Leste desde a independência, Ramos-Horta considerou, no entanto, que o país está "no bom caminho".

"Houve solavancos, houve decepções, houve recuos como é natural na construção de um país, mas podemos dizer com satisfação e com orgulho que estamos no bom caminho, registámos excelentes progressos nos últimos dois anos e vamos continuar a fazê-lo", afirmou.

Ainda em 2009, continuou o Chefe de Estado, o Governo vai manter um bom crescimento económico, depois de em 2008 a economia ter crescido 12,5 por cento e em 2007, "logo a seguir à crise" (institucional e de segurança em Timor-Leste), oito por cento.

"Milhares de empregos estão a ser criados no sector privado, na construção civil, na agricultura, em pequenos negócios", sustentou.

Depois, Timor-Leste "não tem um único cêntimo de dívida externa", além de possuir "5.000 milhões de dólares em tesouro americano".

"Somos um país independente há oito anos. Não oitenta nem sequer vinte anos", lembrou Ramos-Horta comparando o país a um investimento empresarial.

"Qualquer empresário médio português dirá que leva dez, quinze ou vinte anos para reaver os investimentos", disse, recolocando o centro da questão em Timor-Leste, um país "que foi destruído durante 24 anos e sobretudo em 1999 com um povo ensanguentado, com um povo ferido não apenas no corpo mas na alma".

"Estamos a investir, sobretudo na agricultura, para assegurar segurança alimentar nos próximos anos. Estamos a investir e vamos investir mais ainda nos próximos dois a três anos em infra-estruturas para podermos adquirir uma rede de estradas, porto, aeroporto, pontes de primeira categoria", lembrando ainda que as forças armadas e a polícia foram apaziguadas e as instituições do Estado readquiriram "a confiança do povo".

A propósito, Ramos-Horta referiu-se a um inquérito feito por um instituto republicano norte-americano aos 13 distritos do país em Outubro e Novembro do ano passado, segundo o qual a maioria dos inquiridos aprovaram os desempenhos do Presidente da República, do Governo e das forças militares e de segurança.


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