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  Cabo Verde
Ginecologistas terminam formação de cinco anos
- 6-Jul-2003 - 14:46

Quatro especialistas em ginecologia concluíram na semana passada em Cabo Verde uma formação de cinco anos realizada com o apoio da cooperação portuguesa e que constituiu a primeira iniciativa deste género realizada no país.


O internato da especialidade em ginecologia foi realizado no Hospital Agostinho Neto, da Cidade da Praia, sem deslocações ao estrangeiro e com um "programa exigente e tutorado e oficialmente provado", explicou à Agência Lusa o coordenador do curso.

Segundo Agostinho Almeida Santos, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, deste modo, durante os cinco anos, os médicos puderam continuar a dar apoio assistencial ao serviço hospitalar onde efectuavam a sua formação, o que não aconteceria se a formação fosse no estrangeiro.

"Ganhou-se uma aposta, a de que seria possível levar a bom termo uma preparação especializada com os recursos locais, nas condições de trabalho existentes, e consubstanciando o ensino-aprendizagem com as patologias frequentes no local geográfico onde era feita a preparação", sublinhou o professor universitário.

Os formandos foram sempre acompanhados por tutores credenciados de nacionalidade portuguesa, uns com preparação hospitalar, outros com funções universitárias, que se deslocavam a Cabo Verde por períodos mínimos de seis meses.

Disponibilizando-se "a tempo inteiro para a formação dos internos" - salientou - os nove tutores portugueses "trouxeram uma mais-valia para a qualificação e dinamização do serviço hospitalar de acolhimento, com novas atitude e modernização de procedimentos".

Segundo Agostinho Almeida Santos, igualmente director de departamento nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), ao ministrar-se a formação no próprio país preveniu-se também o risco de alguns dos formandos não regressarem a Cabo Verde e frustrarem deste modo o objectivo da sua especialização.

Por outro lado, a formação foi realizada perante situações concretas de meios e de equipamento e com as patologias que mais frequentemente ocorrem em Cabo Verde.

A avaliação teórica e prática foi sendo feita semestralmente por um júri internacional exigente, integrado por especialistas portugueses, cubanos e alemães. O rigor e as exigências da formação levaram a que dois dos formandos inscritos tivessem desistido a meio.

Além da formação de quatro especialistas em ginecologia, a cooperação portuguesa forneceu meios técnicos, materiais bibliográficos, meios audiovisuais e um ecógrafo "de alta qualidade", equipamento imprescindível no diagnóstico e acompanhamento das grávidas.

"Fica agora em Cabo Verde um pouco da ciência médica portuguesa e um saber de experiências feito que já está a dar os seus frutos. A mortalidade materna é quase nula e a mortalidade infantil tem vindo a diminuir", situando-se em cerca de 25 a 30 por 1000, o que será dos melhores índices de Africa, salientou Agostinho Almeida Santos.

Para o futuro está prevista a concretização de um projecto de tele-medicina, a ligar o Hospital Agostinho Neto, na Cidade da Praia, e os Hospitais da Universidade de Coimbra para ajuda ao diagnóstico, o estudo de casos e a formação complementar dos quatro especialistas em ginecologia e obstetrícia agora credenciados.

Com a deslocação destes especialistas foi possível introduzir em Cabo Verde uma técnica nova de laqueação de trompas por celioscopia, ou laparoscopia, que exige das mulheres pacientes um internamento de apenas algumas horas.

O projecto de formação dos quatro especialistas em ginecologia e obstetrícia teve início em Cabo Verde a 5 de Maio de 1998 e encerrou na semana passada.


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