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Cabo Verde
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Na África Ocidental 65 milhões não sabem ler nem escrever
- 6-Sep-2009 - 12:14
Em Cabo Verde, um caso de sucesso, a literacia cobre de 83 por cento da população
Cerca de 75 milhões de crianças em todo o mundo continuam sem acesso ao ensino. Em Portugal, nove em cada cem portugueses continuam sem saber ler nem escrever, na maioria idosos e a viverem no Interior, segundo o último censos. No contexto lusófono, Cabo Verde investiu 6,6 por cento do Produto Interno Bruto no sector da Educação, o valor mais alto entre os 15 Estados da África Ocidental.
Terça-feira celebra-se o Dia Mundial da Literacia. Em Portugal, em dez anos, o número de pessoas que não sabe ler nem escrever desceu de 11 para 9 por cento, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística referentes a 2001.
Para o presidente da Associação O Direito a Aprender, Rui Seguro, "estes números ainda estão muito longe do ideal. Nos países nórdicos é um escândalo quando se encontra uma pessoa analfabeta. Já em Portugal menospreza-se essa realidade. Estamos a falar de quase um milhão de pessoas", refere.
E se estes números consubstanciam um escândalo na Europa, o que se poderá dizer quando se fala de África?
No dia em que se assinala o Dia Mundial da Literacia, 8 de Setembro, a Campanha Global pela Educação em Portugal sublinha o "impacto da educação e da alfabetização no aumento dos rendimentos das famílias, na melhoria das condições de higiene e de saúde, no combate à proliferação de doenças como o HIV/sida e na redução da mortalidade infantil".
No entanto, de acordo com a Campanha Global pela Educação, só na África Ocidental cerca de 65 milhões de jovens e adultos, ou seja, mais de 40 por cento da população, não sabem ler nem escrever.
De acordo com o relatório "From closed books to open doors - West Africa's literacy challenge", 40 milhões dos não alfabetizados são mulheres, sendo que em países como a Guiné-Bissau ou o Mali, não chega a 20 por cento o número de mulheres que sabe ler e escrever.
Apesar disso, Cabo Verde investiu 6,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no sector da Educação, o valor mais alto entre os 15 Estados da África Ocidental, permitindo uma taxa de literacia de 83 por cento, revelam dois estudos internacionais.
Um estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) aponta Cabo Verde como o país da África Ocidental com melhor desempenho na área da educação e, segundo outro elaborado pela EFA Global Monitoring Report, 83 por cento dos cabo-verdianos sabe ler e escrever.
O segundo classificado do "ranking", o Gana, fica muito atrás, com uma taxa de literacia de 64 por cento e, em toda a região oeste-africana, o pior desempenho cabe ao Mali, onde apenas 23 por cento dos habitantes consegue ler e escrever.
O relatório sublinha ainda que o governo de Cabo Verde foi aquele que, em 2008, mais investiu na área da educação - 6,6 por cento de toda a riqueza produzida no país.
Mesmo assim, lembra a UNESCO, o objectivo fixado pelos governos africanos em 2005, com vista a atingir-se os 7 por cento do PIB, não está a ser cumprido.

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