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  Cabo Verde
Mãe morreu soterrada e dois filhos estão desaparecidos devido às chuvas
- 19-Sep-2009 - 19:29


A chuva intensa que continua a abater-se sobre o norte de Cabo Verde já provocou na vila de Ribeira Brava, ilha de S. Nicolau, a morte a uma mulher e o desaparecimento de dois dos seus filhos.


Segundo o correspondente da Rádio de Cabo Verde (RCV) em São Nicolau, o incidente ocorreu na localidade de Covoada, quando um deslizamento de terras, provocado pelas enxurradas, cobriu uma residência, soterrando as vítimas, tendo a mãe sido já encontrada pelas equipas de socorro.

Porém, as duas crianças, uma de quatro e outra de 10 anos, estão desaparecidas, indicaram familiares.

A chuva, que vários populares disseram à Agência Lusa não verem com uma intensidade desta natureza desde 1984, continua a cair no norte do país, deixando um rasto de destruição, desconhecendo-se até agora o valor real dos prejuízos.

Na Ribeira Brava, além das estradas cortadas, ruas e avenidas destruídas, os moradores contam os prejuízos provocados pelas enxurradas que entraram pelas casas dentro.

A vila continua sem energia eléctrica, sem rede de telemóvel e sinal de rádio, e há uma semana que não há fornecimento de água potável.

Exausta pelo trabalho de remoção de pedras e entulhos deixados pela última chuva, a população e as autoridades da Ribeira Brava sentem-se impotentes face a mais esta descarga da chuva sobre a vila.

Entretanto, a protecção civil tem estado a trabalhar para retirar as pessoas das zonas mais perigosas, apesar de alguma resistência dos populares em deixar os seus bens.

Em Santo Antão, as chuvas, que continuam a cair, deixaram praticamente isolada a povoação do Tarrafal de Monte Trigo, interior do município do Porto Novo.

"Estamos sem estrada", disse um popular contactado pela agência noticiosa Inforpress, que apelou à Câmara Municipal do Porto Novo e ao Governo para ajudarem esta comunidade a sair do isolamento em que se encontra.

Na Ribeira Grande, também na ilha de Santo Antão, a chuva baixou de intensidade e o presidente da Câmara local, Orlando Delgado, já começou a contabilizar prejuízos.

O autarca, contactado pela RCV, destacou a destruição de um troço da estrada de penetração da Ribeira Grande e de algumas propriedades agrícolas. A situação levou o edil a solicitar ao Ministério da Educação o adiamento da abertura do ano lectivo.

Segundo Orlando Delgado, não existem condições para o início das aulas na data prevista, tendo em conta que o concelho está completamente isolado, sem possibilidades de os alunos das diversas localidades chegarem, normalmente, aos liceus.

Em São Vicente, a chuva que continuou a cair durante toda a noite provocou diversos estragos, tendo deixado a cidade inundada, provocando ainda o desabamento de algumas casas e deixando as ruas intransitáveis.

"A situação está pior do que ontem (sexta-feira). A chuva não pára de cair, algumas casas desabaram e estamos preocupados com o que pode acontecer", afirmou um morador do Mindelo à Lusa.

Na ilha da Boavista, no nordeste do arquipélago, embora tenha chovido com menor intensidade, os moradores, principalmente da zona da Barraca, um "bairro de lata", falam em água pelos joelhos e prejuízos materiais.


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