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Sida pode acabar
com a Suazilândia

- 25-Sep-2009 - 19:37


Em 20 anos a esperança média de vida passou de 60 anos para 30...

A expectativa média de vida na Suazilândia tombou drasticamente nas últimas duas décadas: de 60 anos, em 1990, passou para 30 anos em 2009. A SIDA é vista como principal responsável, mas os motivos pelos quais a epidemia devastou este pequeno país da África Subsaariana, encravado entre a África do Sul e Moçambique, são menos óbvios.


Os epidemiologistas e outros profissionais que trabalham directamente na resposta à epidemia citam vários factores históricos e socio-económicos que, combinados, criaram na Suazilândia as condições ideais para a propagação do vírus.

"Observadores estrangeiros não conseguem entender porque é que o número de infecções pelo HIV continua tão alto", diz Harriet Kunene, do Centro de Apoio à Sida de Manzini, cidade comercial do centro do país. "Há muitos factores que explicam porque é que o problema é um dilema que perdura e para o qual não existem soluções rápidas e fáceis," acresenta.

Preservativo? “Não, obrigado!”

O desprezo pelo uso do preservativo foi bastante documentado: um relatório da ONU mostra que 60 por cento dos Suazis recusam-se a usá-lo. Isto num país onde a prevalência em 2008, segundo a Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas contra o HIV/SIDA) era de 26,1 por cento e no qual uma pesquisa pré-natal realizada no ano passado constatou que 42 por cento das grávidas eram seropositivas.

"Muitas mulheres dizem que mesmo que no começo do acto sexual elas usem o preservativo, no final ele acaba por escorregar ou é retirado. E elas não tem poder algum para insistir", disse Pholile Dlamini, que dirige o escritório da Iniciativa de Aliança de Presidentes de Câmaras para Acção Comunitária sobre a SIDA a Nível Local (AMICAALL, em inglês).

Outros factores também contribuíram para o impacto do HIV neste país de menos de um milhão de habitantes. "A Suazilândia é tão pequena [somente 17.363 km2], que é fácil para o vírus se propagar", disse Rudolph Maziya, director nacional da AMICAALL.

Mobilidade e poligamia

Se há uma festa em Joanesburgo, um sul-africano da Cidade do Cabo provavelmente não vai estar lá. Mas quando há uma festa em Manzini, as pessoas dos cantos mais distantes do país aparecem; as redes socio-sexuais sempre existiram na Suazilândia e tornaram mais fácil a propagação do vírus.

Em 1993 Maziya trabalhou num relatório que previu a tendência de explosão da SIDA na década seguinte e relembra: "Ele foi rejeitado pelo parlamento, e muitos oficiais da saúde o consideraram alarmista, condenando-o. Enquanto isso, o HIV propagou-se porque ninguém podia vê-lo. Com o Ébola [febre hemorrágica] ou a gripe A, os sintomas são imediatos, as pessoas usam máscaras. Com o HIV, os sintomas levam anos para aparecer."

Faith Dlamini, responsável de programas do Conselho Nacional de Emergência em HIV/Sida (NERCHA, em inglês), que distribui finaciamentos do governo e de doadores internacionais a organizações locais de resposta à SIDA, aponta para a migração sazonal de trabalhadores como um dos vetores da infecção: "É por isso que a SIDA é tão presente na região da cana-de-açúcar, onde há muitos trabalhadores sazonais que deixam suas casas durante meses - eles acham moradia, e também amantes, onde podem.” A cana é principal produto de exportação do país.

Pholile Dlamini concorda. " As mulheres contam que só aceitam que os seus maridos tenham namoradas enquanto estão fora, e não há nada que possam fazer a não ser tentar proteger-se quando os maridos voltam. Mas elas nem sempre têm sucesso. Os preservativos são distribuídos gratuitamente, as pessoas os pegam, mas não os usam".

Com uma taxa de desemprego estimada entre 25 e 40 por cento e muitos dos trabalhadores empregados pela economia informal, Dlamini aponta a pobreza como mais um factor que contribui para as taxas alarmantes de infecção.

Pobreza alarmante e crescente

"Estamos a acompanhar as trabalhadoras da indústria. Elas ganham salários muito baixos e podem ter que recorrer a outros métodos para sobreviver", diz um técnico. Entre estes métodos está aceitar manter relações sexuais com homens mais velhos, o que implica em um alto risco de infecção pelo HIV em mulheres jovens.

A poligamia é legalizada na Suazilândia, e muitos homens de meia-idade e até mais velhos escolhem adolescents como segundas ou terceiras esposas.

"Para as raparigas, talvez seja a única maneira de sair da pobreza ou de ganhar dinheiro, um telemóvel, roupas e outros luxos que elas vêem nos media", comentou Pholile Dlamini.

Apesar dos esforços consideráveis do governo, das ONGs e dos doadores, a epidemia da SIDA na Suazilândia mostra-se resistente a soluções rápidas. Nesta sociedade altamente tradicional, a resistência a mudanças é tão grande que Maziya acredita que somente uma "revolução social" poderia trazer mudança de comportamento. E, mesmo assim, levaria anos até que estas mudanças provocassem a redução da infecção.

"É um problema a longo prazo", disse ele. "Precisamos para de tratar a SIDA na Suazilândia como uma emergência e considerá-la como uma situação de longo prazo, que durará décadas".

Fonte: PlusNews/NL


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