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Economia angolana está em desaceleração apesar de ter crescido 15% em 2008
- 29-Sep-2009 - 15:32
Nos restantes PALOP os efeitos da crise fizeram-se sentir sobretudo ao nível da redução dos preços das matérias-primas
A economia angolana registou em 2008 um crescimento real na ordem dos 15%, valor que, apesar de "apreciável", representou uma desaceleração face aos três anos anteriores, segundo dados do Banco de Portugal.
A análise anual do Banco de Portugal à evolução das economias dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste refere que a desaceleração se ficou a dever ao comportamento do sector energético, nomeadamente a exploração petrolífera, cujo Valor Acrescentado Bruto (VAB) regrediu de 20,7% em 2007 para 11,9% no ano passado.
Os restantes sectores da economia registaram um crescimento na ordem dos 18,4%, valor igualmente abaixo do registado nos dois anos anteriores.
Ainda assim, em 2008 a economia angolana apresentou uma das mais elevadas taxas de crescimento à escala mundial (3,4% para o PIB mundial e 5,4% para a África Subsaariana), tendo ficado relativamente imune aos efeitos da crise financeira mundial.
Contudo, não conseguiu fugir aos efeitos da redução do preço das matérias-primas, registado na segunda metade de 2008, e ao consequente impacto na redução das receitas de exportação de petróleo.
Porém, os elevados preços do crude registados na primeira metade do ano com o acréscimo das receitas fiscais provenientes da exploração de petróleo foram responsáveis pelo comportamento positivo das contas públicas, que registaram um excedente de 12,4%.
A inflação cifrou-se em 12,4%, o que representa um ligeiro aumento relativamente ao ano anterior, e as contas externas de Angola apresentaram em 2008 "um excedente apreciável".
Para 2009, estimativas das organizações internacionais são, segundo o Banco de Portugal, "claramente menos positivas, condicionadas pela incerteza relativa ao comportamento do preço do petróleo".
Nos restantes PALOP, os efeitos da crise fizeram-se sentir sobretudo ao nível da redução dos preços das matérias-primas, nomeadamente da castanha de caju na Guiné-Bissau, enquanto em Moçambique e Cabo Verde se traduziram na redução do Investimento Directo Estrangeiro (IDE) e da procura externa.
Em São Tomé e Príncipe, o principal risco apontado pelo relatório reside no facto de maiores dificuldades de financiamento poderem condicionar tanto o IDE como o apoio dos doadores.
Timor-Leste registou em 2008 um "crescimento substancial" da sua economia, com uma taxa de variação real de 12,8%.
As receitas de exploração do petróleo e gás natural atingiram 2,3 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros), mais 82% que no ano anterior.

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