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Turquia quer entrar na União Europeia mas não tolera Cristãos
- 4-Oct-2009 - 12:05
O Islão ortodoxo considera o que não é islâmico, como “terra do inimigo” e consequentemente está muito atento ao “inimigo de dentro”
Os resultados duma investigação apoiada pela União Europeia e feita por um instituto turco sobre a tolerância na Turquia são assustadores. Segundo este estudo representativo, agora publicado, 35% dos cidadãos turcos não aceitam ter na vizinhança cristãos; 42% recusam um judeu como vizinho, 20% não querem estrangeiros como vizinhos e 57% não aceitam ateus como vizinhos. Muitos turcos não suportam membros de minorias no aparelho do estado. De facto para se impedir o acesso a tais postos a lei já prevê para os cristãos um número código que os identifica como tais no próprio Bilhete de Identidade. Até médicos não muçulmanos provocam suspeita.
Por António Justo
A filosofia da indivisibilidade do Islão é aplicada, na Turquia, ao Estado. Pluralismo é visto como algo ameaçador da unidade. O Islão ortodoxo considera o que não é islâmico, como “terra do inimigo” e consequentemente está muito atento ao “inimigo de dentro”.
Nacionalismo e religião muçulmana são as duas faces da mesma moeda. Assim se pode compreender que duma Turquia de 25% de cristãos no princípio do século XX, se passasse a uma Turquia onde os cristãos se encontram reduzidos a uma insignificância quantificável já não em termos de por cento mas de por mil.
Isto numa região de raízes judaico-cristãs. Esta praxis hegemónica revela-se como a melhor estratégia de colonização interna e externa do século XX e XXI.
Cidadãos não muçulmanos não são de confiar, apenas 15% dos inquiridos reconhecem cristãos e judeus como cidadãos leais. Três de quatro turcos inquiridos dizem que não sabem nada sobre cristãos e judeus. Também a ignorância fomenta o preconceito!
A Turquia pressiona a Europa para entrar nela. De facto já consegui muito potencial de pressão através das suas comunidades gueto na Europa. A hegemonia interna turca revela-se nas comunidades turcas que se reagrupam no estrangeiro em comunidades gueto em torno da mesquita.
Fora prega-se a harmonia das culturas e dentro pratica-se a intolerância. Fora exigem tolerância e abertura mas fecham-se hermeticamente. Esta estratégia é premiada por uma política Europeia que usa dois pesos e duas medidas. A nível interno de cidadãos fomenta a descoesão religiosa e cultural e no seio dos seus imigrados fomenta a formação de guetos. A falta duma política da tolerância inter-cultural internacional, acompanhada da formação de guetos religiosos muçulmanos acordará, com o tempo, sentimentos de xenofobismo latentes em cada pessoa e em cada grupo.
As conversações de adesão da Turquia à União Europeia deveriam ser adiadas até ao momento em que tendências hegemónicas deixem de ser prática sub-reptícia. O Tratado de Lisboa da UE daria à Turquia um lugar preponderante na Europa atendendo a que seria o país com maior número populacional do grupo.
Há que transformar a todos os níveis, em todos os grupos e em todas as nações, a dificuldade das diferencas numa riqueza. Doutro modo a era das guerras de crenças políticas e religiosas não se poderá considerada ultrapassada.
Se é verdade que com vinagre não se apanham moscas, também é certo que com ele se temperam boas saladas!...
antoniocunhajusto@googlemail.com
http://antonio-justo.blogspot.com

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