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  Cabo Verde
Cabo Verde é exemplo para toda a Lusofonia
- 7-Nov-2002 - 9:58

Cabo Verde vai, calma mas conscientemente, assumindo um papel de relevo no contexto mundial mas, sobretudo, a nível da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Embora com muitas dificuldades materiais, o país assimilou melhor que todos os outros PALOP a democracia e conseguiu, por isso, evitar conflitos sociais e ganhar a aposta do desenvolvimento. Não tem sido fácil mas, é claro, tem valido a pena.

Aliás, ao assumir a sede, nos próximos dias 18 e 19, do 3º Fórum dos Parlamentos da CPLP, Cabo Verde dá mais uma prova da sua pujança política e, em muitos casos, da sua capacidade de antecipação.

A este propósito, Aristides Raimundo Lima (presidente da Assembleia Nacional) referiu que é bem possível dar-se novos passos na dinâmica deste fórum parlamentar que, antes do resto, pode ser uma importante base de entendimento e cooperação de toda a Lusofonia.
A troca de ideias sobre a estruturação do eixo parlamentar da CPLP, bem como a reflexão sobre as formas de melhorar a atenção que cada um dos Estados da Comunidade confere aos naturais dos outros Estados membros residentes nos seu territórios são a prova de que, afinal, a Lusofonia pode triunfar.

O presidente da Assembleia Nacional cabo-verdiana salienta que o relacionamento com os parlamentos dos Estados membros da CPLP «constitui uma preocupação importante». Foi por isso que, no último ano, uma delegação do Parlamento cabo-verdiano visitou Portugal, e uma portuguesa retribuiu a visita, indo a Cabo Verde.

Aristides Lima também reputa de grande importância para a troca de experiências e reforço da cooperação, a realização na Cidade da Praia, Cabo Verde, há uns meses, de uma reunião da Associação dos Secretários- Gerais dos Parlamentos de Língua Portuguesa.

Ao remeter-se ao anterior ano parlamentar, disse que decorreram seis importantes debates políticos, mais quatro do que em 1999/2000, e que em relação às iniciativas legislativas dos deputados a média foi idêntica nos dois períodos. Para o ano que recentemente teve início, realçou que os principais desafios têm a ver com a continuação da reforma do Parlamento, melhorando a qualidade da representação.

«O deputado não pode correr o risco de ser visto como uma entidade que apenas tem uma especialidade, a de combater e, às vezes até, ofender o adversário político», observou. No entendimento do presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde, além de soluções organizativas coerentes com a nova realidade parlamentar, será «indispensável um correcto auto-entendimento do mandato de deputado, que conjugue os vínculos partidários e os compromissos eleitorais com a auto-estima política e a liberdade individual», bem como «o respeito e consideração pelos adversários políticos».

Aristides Lima espera que durante o ano parlamentar em curso sejam aprovados diplomas importantes, em execução de normas da Constituição, como são a Lei do Referendo Nacional, o Estatuto do Provedor de Justiça, e a lei que define a iniciativa legislativa popular.

A democracia dos PALOP, mais do que a da CPLP, tem de agradecer a forma como Cabo Verde consegue dar exemplos e pôr em prática o que todos desejam mas que, na verdade, só alguns alcançam.

PROBLEMAS NATURAIS NÃO DIMINUEM A RESISTÊNCIA

Em Cabo Verde, o problema é geral e vem de antes da independência do arquipélago. Devido à desertificação e à erosão dos solos provocada por anos de seca, a conservação da água sempre foi uma preocupação.

Como as chuvas são raras, é investindo na dessalinização das águas do mar que as autoridades cabo-verdianas encontram a melhor alternativa ou, pelo menos, a mais exequível.

A água canalizada ainda é quase um luxo, mesmo nos principais centros urbanos. Mas também neste domínio o progresso é notável na Cidade da Praia, a capital, e no Mindelo, a segunda cidade do país. Hoje as torneiras das casas já não passam uma semana sem o precioso líquido, e há mesmo bairros onde o fornecimento é constante.

Aliás, ainda há dias, o Governo chinês assinou um contrato de financiamento para a construção em Cabo Verde uma barragem no valor de dois milhões de euros, com capacidade para captar e armazenar 1,3 milhões de metros cúbicos de águas pluviais.

O protocolo que formaliza o compromisso foi assinado, na Cidade da Praia, entre a ministra dos Negócios Estrangeiros e Comunidades do arquipélago, Fátima Veiga, e o vice- ministro chinês do Comércio Externo e da Cooperação Económica, Chen Jiang.

A citada barragem, que será construída na bacia hidrográfica de Ribeira Seca, no interior da ilha de Santiago, será a mais importante infra-estrutura hidráulica do país, prevendo-se que venha a irrigar directamente 300 hectares de terreno.

Os seus benefícios, directos ou indirectos, deverão incidir sobre a vida de mais de 30 mil pessoas, que constituem a população total da bacia, uma vez que a concentração da água permitirá alimentar vários lençóis freáticos de localidades mais distantes da barragem.

Também nesta matéria, o país mostrou que é possível dar a volta aos problemas e, com determinação, vencer todas as dificuldades. As condições naturais não favoreceram Cabo Verde. No entanto, o seu povo é determinado e mostra que o futuro já colocou o país no seu roteiro.


PROJECTO CULTURAL INOVADOR NA CIDADE DA PRAIA

Uma livraria-biblioteca, uma escola de música e uma galeria de artes plásticas fazem parte, como noticiou o Notícias Lusófonas, do mais importante projecto cultural não governamental de Cabo Verde, o «5al (quintal) da Música», na Cidade da Praia.


«Isto vai no sentido do projecto sonhado do «Quintal da Músical», declarou o músico e escritor Mário Lúcio Sousa, um dos principais dinamizadores da Associação «5al da Música», com pouco mais de dois anos de existência.

Desde a sua fundação, o «5al da Música» tem-se dedicado à promoção das artes e a estimular o surgimento de novos talentos, com especial incidência na música, através do seu espaço de café-concerto permanente.

A nova face do projecto inclui uma galeria para exposições de artes plásticas, que se intitula «Galeria dos Escondidos», que será gerida pelas Associação Talentos Escondidos, constituída por jovens artistas originários das nove ilhas habitadas do arquipélago.

«A nossa ideia é levar a arte às pessoas e participar na educação dos jovens. Então optámos por criar uma ciber-galeria», com computadores para acesso à internet, aproveitando a sua estratégica inserção numa zona da cidade próxima de uma importante liceu, disse.

Segundo Mário Lúcio Sousa, isso vai implicar que «obrigatoriamente as pessoas tenham de ver os quadros», quer sejam os alunos, quer os cidadãos, nacionais e turistas, que têm no «5al da Música» um espaço de referência obrigatório na Cidade da Praia.

O «Salão Musical» terá duas vertentes, a de formação, com uma escola, e a de comércio, «a preços acessíveis», de instrumentos e acessórios, quer para iniciação, quer para executantes mais exigentes, preenchendo uma lacuna em Cabo Verde.

«O Salão será um espaço aberto, em que as pessoas poderão ir a qualquer hora. Haverá pessoas para ensinar através do método tradicional ou empírico. Durante o dia quem queira aprender passa por ali para receber lições», explicou.

Segundo Mário Lúcio Sousa, trata-se do embrião da escola de música do «5al» e começará com guitarra, violino, piano, percussão africana e percussão latina. Seguidamente será o acordeão.

«A nossa grande aposta é preservar os métodos e as técnicas tradicionais e gradualmente alargá-la», explicou, salientando que actualmente já possui outros instrumentos, como clarinetes e saxofones, mas não existem no país professores para essas aprendizagens.

No entanto, o «5al da Música» estabeleceu contactos com instituições austríacas, nomeadamente com a escola de música da cidade de Bad Ischl, e com a academia Mozarteum, de Viena, para assegurar deslocações periódicas, de um ou dois meses, para o complemento da aprendizagem e partilha de experiências.

«Ao mesmo tempo que dão estágio aos professores residentes deixam lições científicas para complementar o método tradicional», disse Mário Lúcio Sousa, frisando que essas instituições austríacas irão atribuir títulos académicos aos estudantes, que lhe abrirão as portas para o exercício de uma profissão ou prosseguimento de estudos musicais.

No entanto, a intenção é conseguir o reconhecimento oficial dos graus atribuídos e também integrar a aprendizagem da escola do «5al da Música» no sistema de ensino cabo-verdiano, tendo para o efeito já encetado contactos com o Ministério da Educação.

«A nossa estratégia e salvação é funcionar como funcionam os pobres agricultores deste país. Temos de sobrevir com o que temos, inventando métodos», salientou Mário Lúcio Sousa em alusão à estratégia adoptada para erguer o projecto.

Os professores residentes serão pagos pelos alunos e para as crianças que não tiverem meios serão angariados patrocínios para custear a sua formação. E sempre que se desloque a Cabo Verde um concertista será aproveitada a sua experiência para a pôr ao serviço da escola.

Os métodos pedagógicos serão definidos previamente, mas cada professor tem autonomia para os pôr em prática. E não haverá recurso a processos de administração convencionais. Cada um terá os seus alunos e poderá até ensiná-los na sua própria casa.

«Nós não temos uma academia de música, mas um atelier de música. É recriar aqueles espaços tradicionais de há 20 ou 30 anos, onde em cada esquina havia um velho que ensinava toda a comunidade. Foi assim que eu aprendi», afirmou Mário Lúcio Sousa.

A escola tem suscitado o interesse não apenas das crianças mas também de adultos que desejam aprender outro instrumento, aprofundar os seus conhecimentos ou simplesmente aprender a ler e escrever música em pauta.

A «Biblioteca-Livraria Eugénio Tavares» é «outro sonho do 5al da Música», de ter uma biblioteca especializada em artes, onde se possa encontrar toda a literatura cabo-verdiana, «o melhor da literatura portuguesa» e obras de referência da literatura mundial, traduzidas ou no original.

E possuirá ainda um fundo bibliográfico de obras especializadas em arquitectura, pintura ou música, preenchendo uma carência no país, e «ajudando os alunos do liceu a melhor escolher os caminhos que pretendam seguir».

A escolha do nome de Eugénio Tavares, poeta, compositor e jornalista, para a biblioteca-livraria, teve em vista homenagear esse escritor que Mário Lúcio Sousa considera um génio - «Eu génio Tavares», grafia com que aparece na indicação do novo espaço.

Foi também considerado um dos renovadores da morna, a canção nacional, e algumas das mais belas e mais cantadas têm o seu cunho.

Eugénio Tavares nasceu na ilha Brava a 18 de Outubro de 1867, mas apenas foi registado a 05 de Novembro desse ano, há precisamente 135 anos. Faleceu a 1 de Junho de 1930.

Para erguer este projecto, a associação «5al da Música» socorre-se da disponibilidade de amigos, de dádivas e das receitas do bar onde funciona o café-concerto. Não tem apoios oficiais, disse Mário Lúcio Sousa.

JORGE CASTRO



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