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Livro descreve papel de Álvaro Cunhal no apoio da URSS ao MPLA
- 8-Oct-2009 - 10:45
Quando o Partido Comunista Soviético preparava o apoio à FNLA, foi Álvaro Cunhal a 'virar o jogo' para o MPLA, afirma o jornalista e historiador José Milhazes, autor de 'Angola: O Príncipio do Fim da União Soviética', a lançar na sexta-feira.
A génese do apoio da URSS ao MPLA é um dos episódios sobre o qual é feita luz no livro, editado pela Nova Vega, de José Milhazes, residente há mais de 30 anos na Rússia, onde é o actual correspondente da Agência Lusa.
'No meu livro abordo alguns episódios menos conhecidos das relações entre Angola e a União Soviética, nomeadamente nos anos 60, quando Nikita Krutschev, secretário-geral do Partido Comunista soviético, decide reconhecer Holden Roberto e a FNLA como representantes do povo angolano na luta anti-colonial, e isso não acontece devido à presença de Álvaro Cunhal em Moscovo, que consegue fazer a direcção soviética mudar de ideias e reconhecer Agostinho Neto', disse Milhazes.
'Muitos quadros angolanos passaram pelo Partido Comunista e estavam influenciados pelo marxismo-leninismo', recordou Milhazes, justificando a mais-valia de Agostinho Neto aos olhos de Moscovo.
A obra de Milhazes resulta de uma pesquisa iniciada nos anos 1990, nos arquivos da ex-URSS, nomeadamente o Presidencial, do PCUS, e da Fundação Gorbatchev actualmente o mais aberto, onde o jornalista encontrou registos de conversas do último líder soviético com Mário Soares, Álvaro Cunhal e José Eduardo dos Santos.
A investigação é complementada com entrevistas e artigos sobre este tema e memórias publicadas por militares e conselheiros soviéticos que passaram por Angola.
No seu livro, Milhazes tenta provar que o golpe de Nito Alves, em 1977, dentro do MPLA teve o apoio de Moscovo
'Nito representou Angola no Congresso do PC soviético. Isso [para Moscovo] significava que era naquele momento o homem de extrema confiança', acrescentou.
O jornalista afasta a tese de que o primeiro Presidente angolano terá sido assassinado por ordem de Moscovo, como acusou a viúva de Neto.
'Falei com pessoas que participaram nesse processo e disseram-me que ele estava mortalmente enfermo e a URSS reconheceu que foi um erro trazê-lo e operá-lo', disse Milhazes.
Certo, segundo o autor, é que Moscovo 'recebeu bem' a ascenção ao poder (1979) de José Eduardo dos Santos, que era visto como próximo por ter estudado na União Soviética.
A intervenção militar no conflito angolano aprofundou-se, até ao ponto de a ex-colónia portuguesa se ter tornado, nas palavras de um alto funcionário do PC soviético, numa das razões do fim da URSS, que 'teve corolário na aventura do Afeganistão'.
'Angola debilitou fortemente a URSS e dificultou altamente as relações com os Estados Unidos. Era uma ferida constante', explicou.
Depois do fim da URSS, Moscovo, a braços com o seu próprio desmembramento, 'não tinha tempo a perder com Angola'.
Hoje, procura-se recuperar esse tempo.
'Na exploração de diamantes nunca desapareceram os laços e, no petróleo e gás, voltou de novo o interesse em Angola', sublinhou Milhazes, lembrando que a Rússia tem quadros que trabalharam lá, conhecem o terreno e sabem falar português, além dos milhares de angolanos que se formaram na URSS.
Milhazes já pensa numa segunda edição do novo livro, com mais material que venha a ser desclassificado ou tornado público por intervenientes directos, e também em trabalhos semelhantes sobre outras ex-colónias portuguesas.

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