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  Entrevista
Empresa portuguesa Viriato avalia locais para construir fábrica de móveis
- 12-Oct-2009 - 11:34


A Viriato, empresa de mobiliário e projectos de decoração para hotelaria, que no sábado abriu uma showhouse em Luanda, vai construir uma fábrica em Angola, estando neste momento a avaliar a melhor localização.


“Vamos avançar para a indústria. Já temos o projecto e estamos a estudar a melhor localização para a fábrica”, disse à Lusa o presidente do conselho de administração (CA) da Viriato Hotel Concept.

Em parceria com a HM Veloso Angola, António Rocha constituiu a Viriato - África Hotel Concept, uma sociedade de direito angolano, que vai avançar para a construção de uma fábrica, que representará um investimento de cerca de oito milhões de euros.

“Já trabalho com Angola há mais de 15 anos, mas os impostos penalizam muito as exportações”, explicou à Lusa o presidente do CA, acrescentando que “o crescimento do mercado exige uma presença mais efectiva”.

“Será uma fábrica com muita tecnologia, melhor do que a que tenho em Portugal”, revelou António Rocha.

Em entrevista à Lusa, o empresário admitiu que a aposta, em Angola, é motivada pela “oportunidade do mercado” e por uma “paixão” pelo país.

“É um mercado que me diz muito. Fiz lá o serviço militar obrigatório e há uns anos comecei a ir a Angola mais vezes e devo ter água do Bengo, como dizem, porque fiquei fã”, revelou o empresário.

A Viriato começou por ser uma fábrica de móveis, mas, nos anos 80, ao aceder ao desafio da francesa Bouygues de produzir mobiliário para hotéis, abriu a porta do mercado da hotelaria, o que levou a segunda geração a diversificar a actividade aos projectos de decoração de hotéis.

Durante alguns anos, manteve a produção de mobiliário doméstico, mas o crescimento do número de clientes da hotelaria, associado aos primeiros sinais de crise na indústria de móveis, levou a empresa de Paredes a fixar-se naquele nicho de mercado.

Segundo o presidente da Viriato, neste momento, os projectos chave-na-mão, de maior valor acrescentado, representam cerca de 20 por cento do negócio da empresa, que, em 2008, facturou 25 milhões de euros.

No último ano, António Rocha surpreendeu os 130 funcionários com um aumento salarial na ordem dos cinco por cento, acima da actualização salarial da função pública, justificando a opção com a necessidade de “dar confiança às pessoas que andavam desanimadas e cabisbaixas”.

Desde que se concentrou no mercado hoteleiro, “a Viriato já decorou e equipou centenas de hotéis de gama média/ alta, destacando-se a Suécia, França, Espanha, Arábia Saudita, Cabo Verde, Tahiti.

Entre os clientes da empresa de Paredes, estão as cadeias Le Meridien, Hilton, Sheraton, Ritz e Ramada.

De acordo com António Rocha, “a quebra nos investimentos hoteleiros, sentida, nos últimos anos, em Espanha, Inglaterra e no Dubai, foi compensada com o crescimento do turismo em África, nomeadamente em Angola e Marrocos


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