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De queda em queda
até à... queda final

- 20-Oct-2009 - 19:53

Brasil e Moçambique foram os únicos países de língua portuguesa que em 2009 viram melhorada a liberdade de imprensa, de acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Todos os outros, com Portugal à cabeça, estatelaram-se para gáudio dos donos da verdade, chamem-se eles José Sócrates ou José Eduardo dos Santos.

Por Orlando Castro

A organização RSF considera que a liberdade de imprensa diminuiu este ano em Portugal, com uma queda do 16º para o 30º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.

Não é novidade e para o ano, mau grado o dono do país ter perdido a maioria no Parlamento, vai registar-se nova queda. E, tal como o país, os jornalistas lá vão (muitos cantando e rindo) de queda em queda até à queda final.

Por seu lado, este ano, o Brasil surge no posto 71º do ranking, tendo subido 11 posições relativamente ao ano passado.

Em África, nomeadamente nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, Moçambique foi o único país a registar uma subida no ranking da liberdade de imprensa, tendo passado da posição 90º (em 2008) para a 83º (em 2009).

A Guiné-Bissau surge no lugar 92º (em 2008 estava na 81º posição), Angola desceu da posição 116º (em 2008) para a 119º (em 2009) e Timor-Leste caiu nove lugares e ocupa agora o lugar 74º da lista.

Recordam-se que em Maio o Bispo de Viseu (Portugal), D. Ilídio Leandro, falou sobre os jornalistas portugueses a propósito do 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais, dizendo que "Há muitos jornalistas que estão ao serviço do director e não da verdade”?

Se não se recordam, eu lembro:

"Penso que há da parte da Igreja uma dificuldade em ser comunicada e em ter interesse para a comunicação social e há da parte da comunicação social uma deficiente formação para entender, ler e informar as coisas da Igreja. É uma coisa mútua".

"Não é por má fé que o jornalista deforma posições, linguagem e pessoas da Igreja, mas sim devido à falta de uma informação e de uma formação para ler, informar e dar conteúdos relativos a pessoas ou acontecimentos da Igreja".

"A informação deveria ser formadora e informadora".

“Critico o sensacionalismo, o gosto da polémica e o facto de muitos jornalistas terem de obedecer aos critérios do director".

"Há muitos jornalistas que estão ao serviço do director e não ao serviço da verdade, da informação, daquilo que é importante. Eu compreendo que os jornalistas precisam de ter caminhos de vida, mas quando isso vem como deformador das notícias é mau".

"O jornalismo pode fazer muitíssimo bem, trazer ao de cima denúncias que são necessárias que sejam feitas, de pessoas que estão mal tratadas, de situações concretas que estão a criar problemas às pessoas e às comunidades".

"Competência para saber tudo aquilo que tem a ver com a sua missão, consciência no sentido de ir ao encontro da verdade e do bem, do belo, do verdadeiro e do bom, como diz o Papa, e depois a responsabilidade, que é cada um não se defender nas fontes anónimas ou nas fontes próximas, mas assumir a responsabilidade do que escreve e do que diz".

20.10.2009
orlando.s.castro@gmail.com
http://altohama.blogspot.com
http://www.orlandopressroom.com


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