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  Cabo Verde
«Djunta Mom», Nélson Évora e ajuda a escolas de Cabo Verde
- 20-Oct-2009 - 23:37


Campeão olímpico vai entregar donativos a escolas da ilha de Santo Antão

Nélson Évora, o único campeão olímpico português de Pequim'2008, já era apontado desde júnior como um atleta de enorme futuro, que mais tarde ou mais cedo ia conseguir resultados de topo no triplo salto, a especialidade que escolheu. Assim foi. Assim é. Mas há mais. Muito mais.

O saltador do Benfica chegou mais cedo do que se esperava ao topo e foi campeão do Mundo em 2007, em Osaca, então ainda com 23 anos, tornando-se inevitável que para o ano seguinte, nos Jogos, já fosse um dos favoritos.

"Saí de Osaca e sabia que estava bem, sai supermotivado por ter sido campeão do Mundo e praticamente não fiz período de repouso, após esse Mundial", recorda, dois anos depois. "Voltei logo ao trabalho, houve muito treino e trabalhámos os pormenores para que chegasse aquele dia específico (Jogos OLímpicos) e estivesse o mais forte possível".

Nélson Évora reconhece que 2008 "foi um ano duro", em que foi preciso trabalhar muitos aspectos, "técnica, capacidade de saltos, tudo o mais", mas que no final "valeu a pena todo o sofrimento dentro das pistas, no treino".

"A técnica teve de melhorar, houve grandes melhorias de um ano para o outro e isso foi muito importante para ganhar o título olímpico", assegura. "Só através de muitos milhares de saltos é que se consegue adquirir algumas boas mudanças".

Na estadia em Pequim esteve sempre com os colegas de equipa e realça que "houve sempre bom ambiente". De Portugal, sabia que "as pessoas não estavam a gostar da prestação dos atletas", mas fazia por "tentar viver o momento, que é algo de mágico, único".

No dia da prova esteve "concentrado, um bocado nervoso" - "mas a tentar abstrair-me e não ficar obcecado com a prova", acrescenta.

"O meu estado de concentração era total, pelo que não consigo descrever muito bem os pormenores desse dia. Sei o que fiz, sei como fiz, mas não dá para ter muitas memórias para além disso", recorda.

Em Pequim a competição foi muito renhida, com constantes alterações no quadro e muitos atletas a se superaram. "É bom estar numa competição desse género, melhor ainda quando se é o vencedor", afirma.

Nélson Évora reconhece que no último ano muita coisa mudou: "hoje em dia as pessoas reconhecem o meu trabalho, o que me deixa satisfeito. É gratificante, qualquer sítio onde estejamos há sempre alguém que se abeira e diz algumas palavras simpáticas, é espectacular".

Nem tudo foi bom, nas mudanças, mas isso é assumido com naturalidade. "Sabia que se um dia chegasse a este nível, teria de me sujeitar às coisas más que a fama tem", explica.

"A minha vida continua igual, os meus valores continuam iguais, continua a preservar o que é importante para atingir o sucesso, para mim", acrescenta.

Nélson não esperou pelo fim da carreira e desde há dois anos que patrocina o "Projecto Djunta Mom", de ajuda social em Cabo Verde, junto dos Bombeiros Voluntários de Alfragide.

"Fizemos trabalho muito bom em 2008 no ano de arranque, adorei. Este ano vamos alargar o projecto, com novas ideias, para que esta ajuda social possa ter sucesso", acrescentou.

Os destinatários são as crianças, "é a elas que temos de dar uma oportunidade de estudar, ter uma vida melhor, e se assim for daqui a ano teremos o resultado deste e doutros projectos sociais", frisa.

“Djunta Mom" (Juntar as Mãos) visa angariar material escolar e equipamento desportivo para as escolas mais carenciadas de Cabo Verde, e Nélson, como padrinho do projecto, todos os anos leiloa a sapatilha com que alcança a maior vitória.

Depois, o atleta desloca-se pessoalmente a Cabo Verde para fazer a entrega do material comprado com as receitas angariadas. Este ano irá proceder à entrega a escolas da ilha de Santo Antão, após em 2009 ter sido contempladas as escolas de São Vicente.

Fonte: O Jogo


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