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Parte do desprezo pela emigração resulta dela mesma…
- 22-Oct-2009 - 13:11
Portugal parece que está a voltar à normalidade. Pelo menos assim se espera e, ao que parece, nenhum partido político apertou a mão estendida do tão pródigo e bondoso primeiro-ministro. É uma ofensa que, em hipótese alguma, deveria ter sido feita quando temos um PS, agora travestido de dialogante, de extrema bondade e altos propósitos patrióticos.
Por Anacleto Abreu Raimundo (*)
Sinceramente não se entende como é que se ousa bater o pé a este tão candente e metamorfoseado Sócrates.
A oposição lá sabe porquê e, se tudo correr mal, como parece que vai correr, as culpas serão destes partidos tão moucos e tão insensíveis que não querem dar o seu contributo à boa governação — à governação do PS, que somente ele sabe fazer.
Na verdade este governo emerge de uma eleição que em nada representa a realidade do país.
Cerca de cinco milhões de emigrantes não votaram ou não puderam votar nos seus círculos eleitorais porque foram simplesmente extintos.
Os números revelam que a abstenção dos emigrantes chegou aos 85%, num universo de cerca de 200 mil inscritos e isto graças às diligências do PS e da sua maioria parlamentar na última legislatura.
O argumento da pobre maioria do PS de então é que o voto presencial “traria uma dignidade acrescida à Assembleia da República, sendo um processo mais dignificante e transparente”.
Na realidade não era a questão da “dignidade acrescida da Assembleia da República “ que preocupava o PS mas sim acabar com os votos da diáspora, em definitivo, pois estes demonstraram, através dos tempos, que nunca foram favoráveis a esta força política.
Esta lei do PS, vetada por Cavaco Silva, não deixava alternativas de voto para os emigrantes que não fosse o voto presencial o que levaria a que os portugueses se afastassem, cada vez mais, das eleições eleitorais e, consequentemente, do próprio país, como de facto está a acontecer.
O fechamento vergonhoso e a venda dos prédios onde os consulados portugueses estavam instalados, é uma nódoa negra que ficará inscrita, para sempre, na memória de milhares de emigrantes que se viram privados de votar pois, em muitos casos, para o poderem fazer, teriam que percorrer distâncias de 300 ou mais quilómetros.
Se considerarmos que de cerca de 5 milhões de emigrantes apenas 25 472 votaram, isto deve-se ao desprezo da governação em relação à metade da população portuguesa que contribui - e de que maneira - para o desenvolvimento do país.
Pouparam-se pouco mais de 4 milhões de euros (correspondentes a 10% das multas de trânsito, anualmente) com o fechamento dos consulados, feito de qualquer maneira e feitio.
Com estas medidas atrabiliárias, o relacionamento dos emigrantes com a sua pátria de origem, as suas instituições e órgãos de soberania é tremendamente negativo e pôs em causa o discurso oficial que vive a alardear que esses portugueses fazem parte integrante da nação portuguesa.
É certo que parte deste desprezo pela emigração resulta também dela mesma. Com lideranças que se perpetuam nos cargos e nas instituições dos países de acolhimento, muitas das vezes, vivem afastados da própria realidade e dos problemas que afligem a diáspora.
Somente assim se entende que os seus representantes na Assembleia da República, com honrosas excepções, sejam pessoas afectas às máquinas partidárias, verdadeiras enguias políticas, de péssima qualidade, que nunca foram emigrantes mas que se elegem e por aí desfilam como “arautos – mudos” das reivindicações nunca feitas, da emigração.
Na verdade as idas ao estrangeiro, sobretudo no dia 10 de Junho, de inúmeras figuras públicas portuguesas, com galas e fanfarras de toda a ordem, incluindo o desbarato das condecorações, junto das comunidades portuguesas, não tem correspondência real, depois, na promoção e integração destes portugueses no todo da nossa nação. Se ao invés das comunidades receberem estes representantes, os expulsassem como verdadeiros vendilhões do templo, talvez as coisas fossem diferentes.
Os ex-consulados de Portugal em Versailles e o de Nogent-sur-Marne, em França, adquiridos em 1971/1972, por Marcelo Caetano (que ironia…) fecharam, pelas mãos do Sócrates, socialista, 36 anos depois, entre os muitos espalhados pelo mundo afora.
Versailles já está à venda, por um milhão e seiscentos mil euros como anuncia o governo, num total desdém pela emigração.
Nem sequer é capaz de transformar os prédios em instituições culturais que servissem aos emigrantes e à cultura portuguesa, como um todo.
Não é desta forma que se combate a abstenção eleitoral e se promove a ligação dos cidadãos emigrantes a Portugal.
(*) economista e advogado

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