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Clubes portugueses passam ao lado do talento africano
- 24-Oct-2009 - 11:17
Foi no Continente Negro que nasceram cinco dos maiores goleadores de sempre do campeonato português: Peyroteo, Eusébio, José Águas, Matateu e Jordão
Dos 427 jogadores da Liga Sagres, apenas 36 são oriundos do continente do recente campeão do Mundo de Sub-20. E, nos três grandes, só resta Mantorras. Mas há sinais de que a situação pode mudar nos próximos tempos. O talento continua a brotar em África como sempre sucedeu, de Accra a Luanda, da Cidade do Cabo a Abidjan.
O futebol africano está, definitivamente, na moda. Depois de o Gana se ter sagrado recentemente campeão do Mundo de Sub-20, só falta mesmo uma selecção do continente conquistar o próximo Mundial, que até se disputa na África do Sul, para o ciclo ficar completo. O talento continua a brotar em África como sempre sucedeu, de Accra a Luanda, da Cidade do Cabo a Abidjan. As principais ligas europeias - sobretudo a inglesa e a francesa - vão estando atentas, e os grandes clubes esperam encontrar o próximo diamante negro, o próximo Drogba, Eto'o ou Essien.
Todavia, no futebol português, que tanto beneficiou com a categoria dos futebolistas oriundos de Áfricaao longo da história, só agora se começa a redescobrir essa realidade, apesar dos constantes alertas de algumas figuras. António Simões, antigo jogador e dirigente do Benfica, por exemplo, numa conversa recente com o DN Sport, alertava para a necessidade de as formações nacionais, num cenário de crise, darem prioridade à prospeção, "de preferência em Portugal mas também noutros países onde esteja a vocação, como nos africanos".
Norton de Matos, antigo jogador e técnico, optou por meter mãos à obra quando se viu no desemprego: criou o Étoile Lusitana no Senegal, onde prepara jovens jogadores locais para que estes possam vingar, mais tarde, no exigente futebol europeu. E os numerosos técnicos portugueses que têm passado pelo futebol angolano não se cansam de exaltar as potencialidades que os jogadores daquele país têm.
É verdade que entre os grandes portugueses já se volta a olhar para África. Afinal de contas, foi no Continente Negro que nasceram cinco dos maiores goleadores de sempre do campeonato nacional (Peyroteo, Eusébio, José Águas, Matateu e Jordão). Ou outros nomes que marcaram o futebol nacional, como Coluna, Vicente ou o argelino Rabah Madjer, cujo calcanhar deu a primeira conquista europeia ao FC Porto. Os exemplos são muitos e alguns até bem recentes.
Talvez por isso, talvez por ser um continente onde ainda muito, quase tudo, está por fazer em termos organizativos, o Sporting tenha assinado este ano um protocolo com os angolanos do Santos FC, que prevê a criação de uma academia no país. E, já no início do próximo ano, deverá estar pronta outra academia, desta feita na África do Sul, numa parceria com o Bloemfontein Celtic - clube da I Divisão do país - que permitirá aos leões ficarem com opção sobre os futebolistas aí formados. Em contrapartida, o clube português fornecerá técnicos, um dos quais será o director-técnico, e todo o know-how necessário ao funcionamento da estrutura.
Já o Benfica assinou, em 2008, um protocolo válido por três anos com os guineenses dos Balantas de Mansoa, na sequência da contratação do juvenil Mamadou Djaló, ajudando a estruturar o clube e ficando com preferência sobre os futebolistas que agradarem.
Seja como for, não parece que a aposta no mercado africano seja um objectivo prioritário dos grandes portugueses, mesmo que os escalões de formação dêem a ideia contrária. Dos três, apenas o Benfica tem um jogador africano no plantel sénior (o angolano Mantorras) e dois emprestados, enquanto o FC Porto começa a testar o jovem avançado senegalês Yero (com várias chamadas já ao plantel senior) e o Sporting parece deixar escapar o nigeriano Rabiu Ibrahim, pelo qual pagou uma pequena fortuna, por entre os dedos, depois deste ter participado (e marcado um golo) no recente Mundial Sub-20 disputado no Egipto.
Tendência que, aliás, se estende aos restantes clubes. Na Liga Sagres, segundo os dados disponíveis no site do organismo, há apenas 36 futebolistas africanos no universo de 427 jogadores do primeiro escalão do futebol português e o país mais representado nem sequer é uma das antigas colónias: trata-se do Senegal, com nove atletas, número que iguala os de Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau juntos.
Fonte: DN/Nuno Coelho

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