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  Cabo Verde
Cabo Verde prevê cobertura energética em 90 por cento até 2010
- 15-Jul-2003 - 22:22

O governo cabo-verdiano apresentou hoje um plano energético nacional que visa aumentar a taxa de electrificação do país dos 60 por cento actuais para 90 por cento até 2010, apurou a PANA na cidade da Praia de fonte segura.


O aumento da taxa de cobertura energética em Cabo Verde será
feito através da energia convencional e de energias renováveis ou ainda pela conjugação das duas.

A primeira versão deste plano foi analisada terça-feira num encontro que reuniu na cidade da Praia técnicos dos Ministérios e empresas ligadas ao sector, entidades portuguesas, especialistas e parceiros, tal como o PNUD, e as cooperações austríaca, francesa e portuguesa.

O projecto, enquadrado na política de reestruturação do sector, destina-se a fornecer elementos e sugestões às entidades responsáveis para a definição de uma Política Energética Nacional.

Segundo o director-geral da Indústria e Energia, Abraão Lopes, o encontro teve como objectivo reunir capacidades nacionais e externas na área energética para recolher contribuições com vista ao enriquecimento do documento final, que será apresentado em Outubro e que se quer consensual e "espelho" das preocupações nacionais em matéria de política energética.

O plano, no qual foram gastos cerca de 30 milhões de escudos (cerca de 400 mil euros) em pesquisas, viagens técnicas, estudos e documentos, é financiado em mais de 80 por cento pela cooperação portuguesa e pelo governo cabo-verdiano e conta com o apoio técnico da Direcção-Geral de Energia de Portugal.

A sua elaboração é da responsabilidade do Instituto Superior Técnico de Portugal, em estreita colaboração com uma equipa da Direcção Geral da Indústria e Energia de Cabo Verde.

Tendo 2000 como ano de base, o documento elucida a situação actual, os constrangimentos, as implicações e actividades ligadas, faz as perspectivas de desenvolvimento e apresenta diferentes cenários de evolução do sector.

O plano manifesta uma grande preocupação com a protecção ambiental no país, onde grande parte da energia é consumida através da utilização da lenha, principalmente no meio rural, o que provoca graves problemas da degradação do meio ambiente.

Como alternativa, o plano propõe a substituição gradual e sistemática da utilização da lenha pela massificação da utilização do gás ou adopção de medidas de utilização de outras energias menos poluentes.

O documento também recomenda uma maior investigação na área da energia solar para o conhecimento das potencialidades existentes no país e da energia eólica para um melhor aproveitamento do vento.

Neste aspecto, o director-geral da Indústria e Energia disse estar em curso um projecto que visa a elaboração do Atlas Eólico Nacional, uma carta nacional na qual os diferentes pontos com potencialidades de produção dessa energia estão a ser quantificados.

Depois da apresentação da versão final, prevista para meados de Outubro, dever-se-á avançar para a fase de mobilização de financiamento e de recursos técnicos para a implementação do plano, que deverá ser traduzido em projectos concretos capazes de permitirem o alcance dos objectivos traçados até 2010.


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