|
|
|
|
Colunistas
|
|
Eugénio Costa Almeida
UNITA vai apresentar Moção de Censura; para quê?
Como afirmava há dias um colega destas lides, com a particularidade de ser um renomado jornalista, nada como de vez em quando aparecer para que não se pense que estão “mortos”.
Depois de contestar as linhas programáticas onde parecem vir assentar a futura Constituição Nacional, a UNITA, talvez porque os principais órgão de informação global que são estatizadas – leia-se, quase totalmente partidarizadas – não lhe deram a devida importância, decidiu avançar para um facto político que poderia ser relevante caso o partido do Galo Negro gozasse de uma força que nas últimas eleições não soube – vamos admitir que não soube – capitalizar.
Ou seja, a UNITA, de acordo com a sua líder parlamentar, Alda Sachiango, que preside a menos de 10% dos deputados que formam o actual Parlamento angolano (16 assentos em 220 lugares), vai propor uma Moção de Censura ao Governo do MPLA que domina cerca de 2/3 do referido Hemiciclo (191 em 220 deputados).
A UNITA assenta a sua Moção no facto do Governo estar a falhar algumas das promessas feitas durante a campanha – recorde-se que as principais até foram feitas pelo seu líder num dos actos de campanha por ele protagonizado e não pelo MPLA que se limitou a cimentar as suas bases e implodir as dos seus adversários – bem assim pelas críticas que o Presidente vem vindo a fazer a alguns membros do Executivo angolano como se percebeu na abertura da reunião do Comité Central do MPLA, no passado sábado, quando Eduardo dos Santos «pediu "tolerância zero" para os actos de gestão "ilícitos, danosos ou fraudulentos"».
Se aliarmos a isso o aumento de popularidade que o Presidente parece vir capitalizando em contraciclo ao MPLA e o facto do próximo Congresso do MPLA ainda não ter mostrado quem serão, efectivamente, os possíveis candidatos à liderança – mesmo José Eduardo dos Santos, seu actual líder, o não confirmou – como prevê os Estatutos do partido, parece que não deixa de ser inteligente esta atitude da UNITA.
Todavia, não esqueçamos que, salvo se a nova Constituição alterar em substância algumas das leis vigentes na actual Carta Constitucional esta Moção de Censura, à partida claramente derrotada, irá condicionar futuros desenvolvimentos políticos não só de Samakuva como da própria UNITA e da oposição em geral.
Ora, por vezes, na política, e então quando a política não é gerida em equidade mais ainda, há que saber ser ainda mais perspicaz que inteligente. E, aqui, embora possa ser que esteja enganado, não me parece que a UNITA o tenha sido…
25/Nov./2009
elcalmeida@gmail.com
http://elcalmeida.net
Voltar
Ver Arquivo
|
|
|
|
|