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  Entrevista
Patrão da Sonae quer mais consumo e não impostos
- 15-Mar-2010 - 22:55


"Sou especialista em ter os pés na terra e acho que se deve gerir o Orçamento como qualquer dona de casa faz, poupando", afirma Belmiro de Azevedo

O presidente do grupo Sonae (Portugal), Belmiro de Azevedo, defendeu hoje, à saída de uma reunião com o Presidente da República, Cavaco Silva, que devem ser tomadas medidas que favoreçam o consumo e manifestou-se contra a subida de impostos.


"Sou especialista em ter os pés na terra e acho que se deve gerir o Orçamento como qualquer dona de casa faz, poupando", disse o gestor, sublinhando que "é necessário favorecer o consumo".

O empresário manifestou-se também contra medidas que retirem "poder de investimento às empresas e poder de consumir".

Questionado sobre o eventual aumento de impostos, Belmiro de Azevedo afirmou que "o Estado só deve cobrar o que a sociedade pode pagar".

Belmiro de Azevedo explicou aos jornalistas que o encontro em Belém surgiu de um convite do presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, garantindo que o objectivo não foi discutir "nem política local, nem eleições, nem o 'acidente'".

No que toca ao referido 'acidente', o gestor referia-se a uma entrevista recentemente concedida à revista Visão, na qual apelidou Cavaco Silva de "ditador", tendo mais tarde explicado num esclarecimento enviado à mesma publicação que tinha usado a expressão em sentido figurado.

"O Presidente da República quis falar comigo sobre o Estado da Nação e sobre como se sai da crise", frisou, respondendo com um "zero" quando foi questionado sobre se tinha falado com Cavaco Silva sobre as críticas proferidas na já mencionada entrevista.

O empresário disse ao chefe de Estado que "é importante crescer, e para tal é preciso criar emprego e riqueza", e que é fundamental ter "recursos humanos educados e competentes e dinheiro em caixa".

"Não vejo que se esteja a fazer nada nesse sentido", criticou o líder da Sonae.

Novamente questionado sobre as medidas que já são conhecidas do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), Belmiro de Azevedo disse que "uma coisa é fazer um programa, outra é tomar decisões".

"Estragámos o crédito externo, aumentaram as taxas de juro", frisou, salientando que "é preciso estabilidade e, para isso, é necessário ter o dinheiro bem aplicado".

"Estamos a lutar muito bem", realçou Belmiro de Azevedo sobre a Sonae, que apresenta os resultados de 2009 dentro de dois dias pelo que, na qualidade de sociedade cotada em bolsa, o gestor escusou-se a adiantar quaisquer números.

"Continuamos a acreditar que o mundo não acaba, nem vai deixar de crescer. Dentro de 15 anos vai haver mais dois mil milhões de cidadãos, especialmente no Extremo Oriente e África, pelo que temos que dar muita importância à globalização", sublinhou.

Sonaecom distribui mais de 80 mil euros em prémios a três administradores

Entretanto, António Lobo Xavier, Miguel Almeida e Cláudia Azevedo são os três administradores executivos da Sonaecom contemplados com a atribuição de quase 50 mil ações, avaliadas a um preço unitário de 1,72 euros, anunciou hoje a empresa à CMVM.

Em 10 de Março de 2010, foram atribuídas a Cláudia Azevedo, Miguel Almeida e António Lobo Xavier - este último saiu da Sonaecom e hoje foi confirmado na administração da Mota Engil - "atribuídas acções da Sonaecom, no âmbito do Plano de Incentivos a Médio Prazo em vigor" na empresa, informou a empresa num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A Sonaecom indicou que as ações foram valorizadas à cotação de fecho de 10 de Março de 2010, nos 1,72 euros por ação.

Miguel Almeida ficou com a maior fatia (32,6 mil euros), Lobo Xavier recebeu quase 30 mil euros e Cláudia Azevedo ganhou 20,3 mil euros.


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