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Mendes Brothers regressam para homenagear Cidade Velha
- 16-Mar-2010 - 11:55
O grupo musical cabo-verdiano Mendes Brothers vai lançar na Cidade Velha dois trabalhos em CD em homenagem ao berço da nacionalidade, numa altura em que se comemoram os 550 anos da descoberta das ilhas de Cabo Verde.
Os dois CD’s, “Porton De Regresso I e II”, são lançados em Abril e em Setembro deste ano, cinco anos após “Kabu Verdi”, e celebram a história e a cultura cabo-verdiana e o papel do arquipélago enquanto o primeiro assentamento europeu nos trópicos e como “ponte” entre o velho e o novo mundo.
Contactado por telefone em Brockton, Massachussets (EUA), onde, tal como o irmão, Ramiro, reside desde 1978, João Mendes, vocalista do grupo, disse à Agência Lusa que o projeto foi pensado há muito tempo e que começou a ganhar corpo por altura da passagem da réplica do navio Amistad por Cabo Verde, em Março de 2008.
“Temos estado a pensar neste projecto há muito tempo e já fizemos outras actividades no âmbito desta ideia. Apoiamos a passagem do Amistad por Cabo Verde e agora, como este ano estamos a comemorar os 550 anos, achamos que era oportuno lançar os CD’s”, garantiu o irmão de Ramiro Mendes.
O vocalista dos Mendes Brothers, banda criada há 32 anos e que já produziu álbuns de dezenas de cantores, como Cesária Évora e o angolano Waldemar Bastos, explicou que este trabalho pretende ser ele também “um símbolo desta multiculturalidade”.
“Vemos a Cidade Velha como um portão que ligava o velho ao novo mundo e por isso o título «Porton de Regresso». Temos uma série de temas que falam da importância da Cidade Velha como berço da Nação e como símbolo de nascimento de sociedades multiculturais”, explicou.
“Resolvemos fazer dois CD’s porque tudo o que queríamos colocar não cabia num só. Dividimos. O primeiro fala muito da história da Cidade Velha e os ritmos são a Coladeira e Talaia Baixo, géneros mais modernos de Cabo Verde”, avançou.
Nesta divisão, surgiu mais uma parte da história da música cabo-verdiana, quando resolveram resgatar a Bandeira, estilo musical com raízes na ilha do Fogo, de onde são naturais - que “como tudo no país, “nasceu da miscigenação”.
“Privilegiámos a Bandeira porque reconhecemos neste ritmo um dos primeiros géneros musicais cabo-verdianos, que resulta da mistura de culturas”, explicou o vocalista do grupo, que, além de “Kabu Verdi”, já editou “Palonkon” (1993), “Bandeira” (1995) e “Torri di Control” (2005).
“Na altura em que a Coroa Portuguesa proibiu a utilização dos instrumentos africanos, passaram a usar-se alguns instrumentos europeus, como o tambor militar. Mas, para tocar as suas músicas e ritmos, acabou por dar a origem à Bandeira, que é a miscigenação de cultura, de ritmos, de religiões”, sublinhou.
O grupo musical Mendes Brothers, com mais de 150 canções gravadas, foi pioneiro na promoção de géneros musicais então esquecidos como Talaia Baxu e Bandeira, tendo êxitos como “Balumuka Palops”, “Djarfougu” e “Cor di Rosa”.
Em 2006, o presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, atribuiu aos membros do grupo a condecoração “Ordem do Vulcão” e a “Medalha de Mérito Cultural” pela sua contribuição para a cultura cabo-verdiana.
Na música há 32 anos, hoje os irmãos Mendes dedicam-se também a apoiar causas humanitárias tendo criado uma fundação para o efeito. Parte das vendas dos CD’s será destinada à sua fundação Music and Life Foundation, que pretende servir-se da música para melhorar a qualidade de vida dos povos.

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