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SIDA: Sociedade Civil reclama envolvimento dos cidadãos no combate à doença
- 18-Mar-2010 - 14:19
A Sociedade Civil da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apelou hoje, em Lisboa, aos vários Governos para envolverem mais os cidadãos nos seus trabalhos de luta contra a SIDA.
"Apelamos aos Governos para uma maior envolvência porque está provado que sem as sociedades civis a resposta nunca será eficaz", disse Leonel Xavier, representante da Sociedade Civil, no final da sessão plenária "Infecção VIH - Evolução dos Indicadores Epidemiológicos", no III Congresso da CPLP VIH/SIDA, que decorre no Centro de Congressos de Lisboa até sexta-feira.
"Os Governos devem encarar com seriedade o envolvimento das organizações da sociedade civil e não olhar para elas como oposição", sublinhou.
A Sociedade Civil da CPLP apresentou na sessão plenária uma série de recomendações a cada um dos países da CPLP e defendeu que os diferentes governos devem inclui-las nas suas agendas.
Para o Brasil, a Sociedade Civil considera que é preciso "superar as barreiras geográficas" e fazer chegar a informação ao interior do país, onde ainda é escassa, bem como aumentar nessas regiões a incidência de serviços especializados no atendimento aos doentes.
Para Cabo Verde, Leonel Xavier referiu a necessidade de haver uma maior capacidade na identificação dos casos de SIDA, a falta de apoio social e o fenómeno dos fluxos migratórios (que dificultam um maior controlo dos casos).
A desmotivação das pessoas que trabalham com seropositivos foi apontada na Guiné-Bissau, onde a Sociedade Civil da CPLP considera ser urgente também resolver a falta de uma alimentação correta dos doentes.
Em Moçambique, um dos 10 países do mundo mais afectados pela SIDA, Leonel Xavier defendeu a necessidade de se promover uma maior especialização dos pessoal médico e dos serviços de saúde, bem como a criação de equipas multidisciplinares para o atendimento de crianças.
No caso de Portugal, a preocupação prende-se com a subida da incidência de casos de VIH entre homossexuais e o seu diagnóstico tardio, bem como o atraso na aplicação do plano estratégico, que considera “bem desenhado”.
Relativamente a São Tomé e Príncipe, Leonel Xavier referiu que o principal problema é o aumento do número de grávidas infectadas.
Durante a sessão plenária, representantes dos países da CPLP apresentaram alguns dos desafios com que agora se debatem.
No caso do Brasil, foi destacado o facto de o uso do preservativo estar a diminuir, apesar de a população ter consciência de que pode evitar contrair doenças se o usar.
Em Cabo Verde, as autoridades têm como principal desafio a despistagem da doença nos homens, que ainda têm relutância em fazer os exames, referiu Maria de Lurdes Monteiro, que apresentou os dados do arquipélago.
Por seu lado, Zacarias da Silva afirmou que na Guiné-Bissau o objectivo é saber porque é que a incidência é maior nas mulheres do que nos homens.
No caso de Moçambique, as autoridades querem fazer chegar os tratamentos ao maior número de infectados possível, dado que actualmente apenas 38 por cento os recebem.
Quanto a Portugal, o coordenador nacional para a infeção VIH/SIDA, Henrique Barros, disse que ainda são "muito frequentes" os diagnósticos tardios e referiu os esforços realizados nas políticas de trocas de seringas.

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