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Entrevista
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Português ganha influência na população jovem moçambicana
- 24-Mar-2010 - 11:06
"Não há donos da língua", afirma o embaixador António Monteiro, ex-ministro português dos Negócios Estrangeiros
A língua portuguesa é a mais falada em Moçambique e ganha cada vez mais espaço entre a população jovem residente nas zonas urbanas, apesar do sotaque derivado das línguas nativas. O Instituto Nacional de Estatística (INE) de Moçambique indica que 90 por cento da população urbana moçambicana usa o português como principal língua de comunicação, nove por cento utiliza-a em casa e 6,5 por cento tem-na como língua materna.
O país tem 21,8 milhões de habitantes, espalhados pelas 11 províncias com 23 línguas de origem bantu, mas nenhum dos idiomas autóctones cobre todo o território nacional.
O xichangana, falado no sul, o cisena, no centro, e emakwa, no norte do país, são as línguas nacionais mais dominantes.
O número de falantes da língua portuguesa está, de resto, a crescer nas áreas urbanas, enquanto, nas zonas rurais, diminui.
Na cidade de Maputo, com um universo populacional de aproximadamente 960 mil habitantes, mais de 412 mil pessoas têm o português como língua materna, contra as 302 mil que usam o xichangana e 93 mil que têm o xironga.
Segundo o INE de Moçambique, o número de falantes de português na capital moçambicana é elevado entre crianças dos cinco aos nove anos (85 603), no entanto, os residentes de Maputo que estão na faixa etária entre os 35 e 39 anos são os que menos dominam a língua portuguesa: 16 mil.
Actualmente a língua portuguesa chega a todos os 128 distritos de Moçambique mas é nos aglomerados populacionais que se desenvolve, pois nas zonas predominantemente rurais tal não acontece.
Num país onde 80 por cento reside nas zonas rurais, "há pouca motivação e poucas situações em que é necessário usar o português", considera Perpétua Gonçalves na obra intitulada "Português de Moçambique: uma variedade em Formação".
Em 1975, o Governo de então adoptou o português como língua oficial da Administração Pública e da Educação. Na altura, menos de 10 por cento da população tinha acesso à escola. Hoje, 52 por cento é alfabetizada.
Actualmente frequentam o ensino básico e secundário seis milhões de jovens moçambicanos, muitos deles a ter o primeiro contacto com a língua portuguesa quando chegam à escola, mas cerca de 200 mil ficaram de fora por falta de vagas, de escolas ou de professores.
As autoridades moçambicanas aventam a hipótese de aderir, este ano, ao novo acordo ortográfico.
A partir de quinta-feira e durante uma semana realiza-se em Brasília uma conferência internacional sobre o futuro da língua portuguesa, que culminará com a VI Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP.
A opinião de António Monteiro
O embaixador António Monteiro, ex-ministro português dos Negócios Estrangeiros, afirmou à Agência Lusa em Paris que "não há donos da língua" e que uma "atitude sentimental" em relação ao português clássico apenas será prejudicial a Portugal.
"Não há donos da língua e o português só ganha em ser percebido como uma língua que é de todos e de cada um que a utiliza", declarou António Monteiro, entrevistado numa visita recente à capital francesa.
António Monteiro frisou que "o português tem novas possibilidades de se impor, porque é um instrumento de trabalho e é essencial para entrar em certos mercados", como é o caso de Angola.
"Temos de fazer uma reflexão muito mais orientada para a acção do que aquela que fazemos, (que) é muito intelectual e sentimental, mas pouco eficaz em termos de utilização", declarou António Monteiro, em vésperas de uma conferência internacional sobre o futuro da língua portuguesa, em Brasília.
"Se queremos desaparecer, passe o exagero, é ter essa atitude. Se queremos dar a dimensão internacional ao português, temos de aceitar o português falado como os povos que o falam entendem falá-lo", acrescentou o diplomata.
As discussões em torno do novo Acordo Ortográfico "são exercícios intelectuais extremamente interessantes", segundo o diplomata português, que considera "importante manter uma ligação ao português clássico e erudito". E defende "que o desenvolvimento da língua vá de par com o desenvolvimento da escola".
"Não penso que se deva entrar em caminhos de rejeição, quem perde somos nós, não são os outros", avisa, no entanto, António Monteiro.
Dando o exemplo do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, António Monteiro salienta que "o Brasil, pela primeira vez, assumiu plenamente a origem europeia do português e fê-lo frontalmente, mencionando depois tudo aquilo que tem dado - e é muito - à língua portuguesa".
"Temos uma língua que tem poder à escala mundial e esse poder é o Brasil. E interessa também ao Brasil ter na sua identidade como potência algo que o distingue dos outros. Isso é bom para os países africanos, para Portugal e para todas as regiões onde se fala português", afirmou António Monteiro.
"A boa imagem que Portugal tem vem muito da nossa cultura, da simplicidade da nossa acção com a gente local, mas também da língua portuguesa, por exemplo com os nomes que ficaram, como os vocábulos de origem portuguesa do malaio ou do japonês", sublinhou o ex-chefe da diplomacia portuguesa.
"Sou a favor da diversidade porque sempre achei que a diversidade faz a riqueza da língua. Temos de evitar que um dia haja o português e o brasileiro, o moçambicano ou o angolano" como línguas diferentes, alertou o embaixador.
"Nós, portugueses, também falamos português", concluiu António Monteiro, citando outro antigo chefe da diplomacia portuguesa, Adriano Moreira.

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