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  Cabo Verde
Professores africanos querem criar uma associação de astronomia
- 25-Mar-2010 - 19:01


Um grupo de professores africanos de língua portuguesa pretende criar uma associação de astronomia, com o objectivo de desenvolver o ensino da disciplina nos seus países, disse hoje à Lusa um dos mentores.


“Um dos nosso objectivos é criar uma rede de astronomia a nível dos países de língua portuguesa em África, usando o Brasil e Portugal como suporte”, afirmou Cláudio Moisés, que lecciona “Introdução à Astronomia e Astrofísica” na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique.

Cláudio Moisés é um dos seis professores que estão a participar na primeira formação de Astronomia e Astrofísica para professores dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP), a decorrer na Universidade de Coimbra até sexta-feira, sob a orientação de Rosa Duran, coordenadora mundial do programa ‘Galileo Teacher Training’(GTTP), no âmbito das actividades promovidas pela comissão nacional para o Ano Internacional da Astronomia (AIA).

A criação de um núcleo ou associação africana de astronomia dos PALOP visa “identificar todas as dificuldades e definir soluções, para introduzir ou melhorar o ensino da astronomia” naqueles países.

“Temos quase as mesmas dificuldades, poucas pessoas formadas nesta área e falta-nos material (equipamentos)” para o ensino da astronomia, disse o docente moçambicano.

A ideia de criar uma rede africana de astronomia surgiu na formação em curso, frequentada por docentes de Moçambique, Angola, S. Tomé e Príncipe e um elemento do ministério da Educação de Cabo Verde, que estão a receber noções básicas de Astronomia e a aprender a utilizar telescópios e métodos modernos para o ensino da disciplina.

“Existem conceitos de astronomia nos nossos países mas os professores não estão a dar a formação adequada aos alunos porque não têm formação nesta área”, disse Cláudio Moisés.

Efraim Soma, docente de Geografia Física na Universidade Agostinho Neto disse que “a maior parte dos professores trabalha (a Astronomia) de forma arcaica” e “é preocupante a falta de material”, daí que pretenda regressar a Angola com um telescópio na bagagem.

Manuel Penhor, docente de Física no Instituto Superior Politécnico de S. Tomé e Príncipe, disse que a formação contribuirá para “transmitir ferramentas e métodos” a outros docentes dos seus países, para que a astronomia seja leccionada “de forma mais correcta”.

Funcionário do ministério da Educação de Cabo Verde, Adilson Semedo disse à Lusa que no seu país o défice de recursos humanos é de tal ordem que não existe nenhum astrónomo, o que explica a sua participação no curso.


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