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  Brasil
Investimento externo regista queda de 64 % no 1º semestre de 2003
- 25-Jul-2003 - 21:08

Os investimentos de empresas e instituições estrangeiras no Brasil diminuíram 64 por cento no primeiro semestre de 2003, para 3,5 mil milhões dólares, face a igual período de 2002, noticia hoje a imprensa brasileira.


No primeiro semestre do ano, o fluxo líquido de investimento estrangeiro directo no Brasil cifrou-se em 3,5 mil milhões de dólares (4 mil milhões de euros), contra 9,6 mil milhões de dólares (8,3 mil milhões de euros, ao câmbio actual) em igual período de 2002.

Em Junho, o total do investimento directo estrangeiro recebido pelo maior país sul-americano foi de 186 milhões de dólares (cerca de 162 milhões de euros), o valor menor registado desde Abril de 1995.

Contudo, o Banco Central do Brasil prevê que o saldo de capital externo este ano no país atinja 10 mil milhões de dólares (8,6 mil milhões de euros, ao câmbio actual).

Para esta projecção bater certa, será necessário um crescimento no segundo semestre de cerca de 186 por cento na entrada de divisas no Brasil.

Dados parciais do Banco Central indicam que nas primeiras semanas de Julho já se registou a uma ligeira recuperação face ao mês anterior, tendo sido contabilizados 600 milhões de dólares (521,5 milhões de euros) em investimentos de estrangeiros entrados no país.

A instituição prevê que até ao final de Julho, os investimentos estrangeiros mensais no país ascendam a 800 milhões de dólares (695 milhões de euros).

De acordo com o chefe do Departamento Económico do Banco Central, Altamir Lopes, os resultados registados até agora "estão dentro do previsto".

O economista acredita que a queda dos investimentos estrangeiros está relacionada com o fim do processo de privatizações no Brasil e também com o actual cenário internacional.

Para Altamir Lopes, a queda no volume de investimentos no primeiro semestre deveu-se a operações isoladas realizadas nos últimos meses, em que algumas multinacionais venderam as participações que tinham em empresas no Brasil e enviaram o dinheiro para as respectivas empresas-mãe (matrizes).

Um dos motivos para a forte queda registada em Junho foi a saída de cerca de 650 milhões de dólares (565 milhões de euros, ao câmbio actual) referentes à compra do espanhol BBV Banco pelo brasileiro Bradesco.

Segundo o ministro da Fazenda brasileiro, Antônio Palocci, para quem a retracção do fluxo de investimentos é um fenómeno mundial e não apenas um problema do Brasil, a redução é acompanhada, no entanto, por crescimento na captação externa de bancos e empresas.

"A captação está a resolver o problema da queda dos investimentos estrangeiros directos", assegurou o ministro.

A agência de promoção de investimentos estrangeiros no Brasil, Investe Brasil, anunciou que tem actualmente vinte projectos de empresas estrangeiras que já escolheram o Brasil como local para investir.

Se estes projectos se concretizarem, deverá registar-se a entrada no Brasil de investimentos directos estrangeiros na ordem dos três mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros, ao câmbio actual).

Destes vinte projectos, seis estão previstos para a área dos transportes, cinco para o sector electrónico, dois para a energia, dois para o turismo, dois para o sector de máquinas e equipamentos, um para a agricultura, um para a metalurgia e um para a área de infra- estruturas, informou a agência.

Segundo o director da Investe Brasil, Clementino Fraga, para quem o Brasil continua a ser um dos países que mais atraem investimentos directos, os empresários estrangeiros estão "muito interessados" no país.

Se for feita rapidamente a regulamentação de sectores como a energia e o saneamento, Clementino Fraga considera que o investimento estrangeiro no Brasil "vai crescer muito", prevendo que em 2004 possa ascender a mais de 15 mil milhões de dólares (13 mil milhões de euros, ao câmbio actual).

No entanto, o director da agência adverte que, se a indefinição nestes sectores persistir por muito tempo, há o risco de mais empresas estrangeiras retirarem investimentos do país.


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