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  Entrevista
Envolvimento de personalidades nos assassínios de Nino e Tagmé Na Waié
- 31-May-2010 - 16:56


O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, admitiu em entrevista à revista “Jeune Afrique” que há personalidades políticas envolvidas nos assassínios do antigo chefe de Estado “Nino” Vieira e do ex-chefe das Forças Armadas Tagmé Na Waié.


“Daqui a algumas semanas, a comissão de inquérito vai apresentar as suas conclusões preliminares. Tudo o que posso dizer é que personalidades políticas estão implicadas naqueles assassínios”, afirmou à revista.

O chefe de Estado guineense não avançou o nome das personalidades políticas alegadamente envolvidas naqueles assassínios, afirmando que não podia dar mais detalhes.

Questionado sobre os avanços das investigações aos assassínios daqueles responsáveis a 1 e 2 de Março de 2009, o Presidente guineense disse que “avançam lentamente”, sublinhando a falta de apoio da ONU.

Sobre os acontecimentos do passado 1 de Abril, Malam Bacai Sanhá referiu que foi um “conflito pessoal entre dois homens que se degenerou”.

“Induta chegou ao posto de chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas em Março de 2009, logo a seguir ao assassínio do antigo chefe Tagmé Na Waié com a ambição de reformar as Forças Armadas. Ele nunca tinha sido chefe de uma unidade ao contrário de António Indjai, um veterano da guerra pela independência, muito respeitado pelos soldados”, disse.

“Quando Injai se apercebeu que Induta se preparava para o destituir, ele avançou”, salientou Malam Bacai Sanhá.

No passado 1 de Abril uma intervenção militar liderada pelo número dois da chefia das Forças Armadas deteve o chefe das Forças Armadas, almirante Zamora Induta, e o primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior.

O primeiro-ministro foi libertado algumas horas depois, mas Zamora Induta continua detido no quartel de Mansoa, a 60 quilómetros de Bissau.

Sobre as acusações feitas pelos EUA de alegado envolvimento no tráfico de droga do contra-almirante Américo Bubo Na Tchuto, o Presidente guineense disse que já foram pedidas as provas aos norte-americanos para poder agir, mas ainda nada foi entregue.

Na entrevista, o chefe de Estado destaca a reforma no sectores de defesa e segurança e o combate ao narcotráfico como prioridades das autoridades, mas sublinha que a Guiné-Bissau precisa de “ajuda suplementar”.


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