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Timor Lorosae
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Angelita Pires ameaça processar Ramos-Horta por difamação, depois de absolvida
- 16-Jun-2010 - 18:20
Angelita Pires, a companheira de Alfredo Reinado que foi absolvida no processo dos atentados contra o Presidente e o primeiro-ministro de Timor-Leste, anunciou na Austrália a intenção de processar Ramos-Horta por difamação.
Angelita Pires disse que o presidente José Ramos-Horta foi uma força instigadora por trás das denúncias do seu envolvimento no atentado contra a sua vida e a do Primeiro-Ministro Xanana Gusmão em Fevereiro de 2008.
"Já dei instruções aos meus advogados para entrarem com uma acção civil contra as pessoas que me difamaram, incluindo o presidente", anunciou Angelita Pires, citada pela imprensa australiana.
Segundo o jornal The Sydney Morning Herald, Angelita Pires tenciona regressar a Timor-Leste “brevemente”, tencionando desenvolver actividade política para combater as injustiças sociais, a corrupção e a pobreza”.
Angelita Pires revelou também estar a trabalhar numa autobiografia que incidirá sobre o tempo que privou com Alfredo Reinado.
"Alfredo deixou para trás um monte de boas memórias para mim e penso que é importante fazer esse registo”, disse.
Fonte da Presidência da República contactada pela agência Lusa comunicou que o Presidente José Ramos-Horta não comenta as declarações feitas por Angelita Pires na Austrália, sobre a intenção de lhe mover uma acção judicial.
O Tribunal de Díli, que julgou o processo do duplo atentado contra o Presidente da República e o Primeiro-Ministro em 2008, condenou em Março 24 dos 28 arguidos, a penas de prisão entre os nove anos e meio e os 16 anos, dando como provada quase toda a acusação.
Angelita Pires, que era acusada pelo Ministério Público de ser a autora moral ou instigadora dos atentados, devido à sua influência sobre Alfredo Reinado, foi ilibada de todos os crimes que lhe eram imputados e viu agora ser confirmada a sua absolvição em última instância.
Alfredo Reinado e Gastão Salsinha lideraram o chamado grupo dos “Peticionários”, que em Abril de 2006, alegando haver discriminação nas forças militares e na polícia em função da origem geográfica, esteve envolvido em vários confrontos violentos, numa crise que culminou nos atentados contra Ramos-Horta e Xanana Gusmão, em que o último saiu ileso.
Alfredo Reinado acabou por ser morto, juntamente com Leopoldino Exposto na casa do Presidente da República, durante o atentado em que este ficou gravemente ferido.
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