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Urge cortar nas despesas e não mexer nos impostos
- 19-Jun-2010 - 19:34
A receita visa Portugal e é dada a custo zero por António Barreto. O problema está no facto de que Lisboa faz o contrário
O sociólogo António Barreto defende que Portugal vai precisar de novas medidas de austeridade e lembra que a actual situação do país se deve a não se ter feito o “trabalho de casa” durante os últimos 20 anos. Como andou a dormir na forma, agora não sabe para onde virar e, por isso, em vez de soluções para os problemas descobre problemas para a solução.
A crise é mundial, mas as soluções têm de ser encontradas por cada país e quanto a isso António Barreto não tem dúvidas que uns estão a investir na solução certa enquanto outros apostam na solução errada.
"Alguns países começaram a corrigir seriamente a despesa pública, a despesa orçamental, as políticas orçamentais”, dando como exemplo a França e a Alemanha, que apresentaram um plano de corte na despesa de cem mil milhões de euros e 90 mil milhões de euros, respectivamente, disse o sociólogo em entrevista à Agência Lusa.
“Qualquer destes países fez melhor que Portugal, porque cortou na despesa e não mexeu nos impostos. Portugal fez ao contrário, mexeu nos impostos e não cortou na despesa ou cortou pouco”, defende António Barreto.
Por isso, entende que Portugal tem apenas uma opção: “Acho que Portugal tem, nos próximos meses, que refazer mais um programa de austeridade. Tem de ser, é indispensável”, considera.
Tudo porque, aponta, o país “não fez, durante os últimos 20 anos, o trabalho de casa".
“Portugal, durante os últimos 20 anos, não fez o que deveria ter feito do ponto de vista financeiro, do ponto de vista orçamental, do ponto de vista das políticas industriais, da produtividade, da competitividade, e deixou crescer a despesa pública, o endividamento, o défice, não só o défice público e o défice orçamental, mas também o défice externo. Deixou crescer e agora queixa-se”, sustenta.
Na análise do sociólogo, se Portugal tivesse feito “o trabalho de casa” e tivesse levado a cabo as políticas certas, “não estaria hoje dependente”.
Confrontado com a questão de ser ou não desejável a transferência dos poderes financeiros para Bruxelas, António Barreto admite que essa terá de ser a solução se os países europeus quiserem manter o apoio financeiro.
"Se Portugal quiser viver com créditos e financiamentos tem de fazer o necessário para isso e o necessário é obedecer às instruções financeiras porque se não obedecer não tem financiamentos nem protecção", conclui.
Europa sem solução à vista
António Barreto considera também que o futuro da Europa está em causa e sem solução à vista, num quadro em que a Alemanha cresce em poder de influência, um cenário a que os outros Estados membros não estão habituados.
“Está aberta uma crise que é não só económica, mas está também aberta uma crise entre a supra nacionalidade, a entidade europeia por um lado, e o reacordar, o reemergir dos interesses nacionais e das particularidades nacionais”, aponta António Barreto.
O sociólogo está convencido que está em marcha uma alteração aos grandes poderes europeus, que passa por um fortalecimento da capacidade de influência da Alemanha.
Barreto lembra que há 10 ou 20 anos havia uma coligação entre a França e a Alemanha na divisão de poderes, mas que agora é a Alemanha que se exprime de “forma mais forte e poderosa” e está a consolidar uma liderança europeia.
“Isto vai criar um problema novo a todos os países, que é viver numa Europa com uma liderança nacional, do Estado mais rico, do Estado mais forte, do Estado mais poderoso e até do mais populoso”, entende.
“A Europa não está habituada a isso porque está habituada a uma liderança colegial, a um entendimento negociado permanentemente e eu entendo que isto é uma alteração de fundo dentro da Europa, mas não sei quais vão ser as reacções dos países”, acrescenta.
Barreto admite que esta situação possa conduzir a uma fragmentação da Europa como ela é hoje conhecida.
“Pode haver um país ou outro que queira sair ou que seja levado a sair por querer alterar a moeda, pode haver pequenas rupturas isoladas, ou uma fragmentação dentro da União Europeia com grupos que se organizam entre eles para criar centros de racionalidade estratégica”, exemplificou António Barreto.
Sem uma solução clara à vista, o sociólogo não acredita que a crise da Europa se resolva com cimeiras e não tem dúvidas em afirmar que é o futuro da Europa que está em causa. “Não tenho a menor dúvida disso. Nada é eterno, incluindo a Europa”, remata.

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