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Entrevista
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Narcotráfico avança para Angola
- 25-Jun-2010 - 17:16
Na África Oriental, Moçambique não é “uma situação particularmente preocupante”, como a da Somália
O narcotráfico está a deslocar-se para sul na África Ocidental, devido ao combate que registou avanços. Angola e Namíbia estão na rota, diz o director do gabinete anti-drogas das Nações Unidas. No caso da Guiné-Bissau, o Gabinete da ONU para a Droga e a Criminalidade diz que está sem “interlocutores credíveis”, desde a intervenção militar de Abril.
Em entrevista à Lusa em Nova Iorque, António Maria Costa, director do UNODC, afirma que os esforços feitos desde 2005 na região fizeram de Cabo Verde “um caso de sucesso” no combate, e que também na Guiné-Bissau houve progressos, “até certo ponto”.
“O que estamos a ver agora é que a ameaça à África Ocidental, que era muito saliente há uns anos, na altura em que aplicámos melhores controlos, tornou-se numa ameaça a outras partes de África, mais para sul”, refere.
Esta zona, “ao longo da costa do continente”, inclui países como Namínba, Angola, e também da costa do Índico, diz.
Na África Oriental, adianta, Moçambique não é “uma situação particularmente preocupante”, como a da Somália.
“Precisamos de manter o nível de atenção elevado porque o tráfico move-se muito rapidamente de um país para outro”, afirma António Costa.
Sobre a situação moçambicana, o responsável escusou-se a comentar o recente caso de Mumade Bachir Sulemane, um dos maiores empresários do país, acusado de narcotráfico pelos EUA.
Segundo o Relatório Mundial de Drogas 2010 da UNODC, nos países europeus, entre eles Portugal, as apreensões de cocaína com origem na África Ocidental registaram um forte aumento entre 2003 e 2006, tendo decaído desde então.
Depois dos distúrbios políticos na Guiné-Bissau e na vizinha Guiné-Conacri, em 2008-2009, o trânsito de cocaína através da região “caiu acentuadamente”, sublinha a UNODC.
António Maria Costa afirma que a “cooperação com autoridades portuguesas tem sido muito boa”.
Actualmente, comparando com pontos de entrada no mercado europeu como Espanha, Balcãs e Países Baixos, “Portugal não é um ponto particularmente importante”, afirma.
Em várias intervenções públicas, nomeadamente no Conselho de Segurança, António Costa tem vindo a reclamar um reforço dos recursos financeiros que recebe diretamente do orçamento das Nações Unidas.
O orçamento da UNODC aumentou três vezes nos últimos oito anos, mas mais de 90 por cento destes recursos vêm de contribuições voluntárias dos diferentes países, o que aumenta a “imprevisibilidade” da gestão da agência.
“Acho que isto vai mudar porque há um crescente reconhecimento sobre a qualidade do nosso trabalho e da gravidade do problema do crime e das drogas que se tornaram ameaças estratégicas”, disse.
“Tudo isso são indicadores positivos de uma revisão em alta do nosso orçamento regular”, adianta.
E na Guiné-Bissau?
O UNODC está sem “interlocutores credíveis” entre as autoridades da Guiné-Bissau, principalmente desde a intervenção militar de Abril, que alterou a cúpula das Forças Armadas.
“A situação é muito fluida. Gostávamos eventualmente de ter uma visão clara de quem manda e se estas novas pessoas são de confiança”, diz António Maria Costa.
No último relatório da agência sobre o tráfico de droga internacional, a Guiné-Bissau é apontada como o “melhor exemplo” da instabilidade causada pelo narcotráfico dentro de um país com instituições frágeis.
Depois de um “pico” entre 2005 e 2008, que levou a que a Guiné-Bissau se afirmasse como uma plataforma de distribuição dos traficantes sul-americanos que tentam aceder ao mercado de cocaína europeu, o fenómeno abrandou no ano passado, mas há o risco de que regresse em força, segundo a UNODC.
“Em 2010 estamos a assistir ao regresso do tráfico para Bissau, devido às fraquezas intrínsecas das instituições políticas e administrativas”, afirmou António Costa. “A ameaça não pode ser ultrapassada se os governos locais não forem honestos e tiverem pessoas honestas à sua frente”, adianta.
António Costa reclama meios para melhorar o controlo das fronteiras – marítimas, terrestres e aéreas – e para fortalecer os processos judiciais, sistema prisional e investigação policial.
Dada a “fraqueza” da Guiné-Bissau e de outros países na região, continua também a ser necessário o patrulhamento das águas territoriais por navios espanhóis ou portugueses, afirmou.
O objectivo de arrecadar 20 milhões de dólares (16,3 milhões de euros) para o combate ao narcotráfico na Guiné-Bissau, assumido na cimeira de Lisboa no fim de 2007, ficou muito aquém, em nove milhões de dólares (7,3 milhões de euros).
Quando à organização de uma nova conferência, António Costa deposita esperança na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e outros parceiros, dado que não é de esperar que a iniciativa parta de Bissau.
“Não acredito que o Governo esteja neste momento particularmente bem posicionado para fazer isso”, afirmou.
“É difícil combater as drogas em comunidades onde a liderança não é particularmente de confiança”, afirmou António Costa, que lidera a UNODC há oito anos.
As Nações Unidas acabaram por se tornar alvo de críticas após a intervenção militar de Abril, por terem dado guarida no edifício da sua missão a um oficial de marinha, Bubo na Tchuto, que tem sido apontado, mais recentemente pelos EUA, como ligado ao narcotráfico.
António Costa recusou-se a comentar este caso, afirmando que tal compete ao chefe da missão em Bissau. “Mas é claro que o historial do almirante [Bubo na Tchuto] de que estamos a falar é muito preocupante”, diz.
No Relatório Mundial de Drogas 2010, a UNODC afirma que a Guiné-Bissau é um dos países onde “os traficantes conseguiram cooptar altas figuras”.

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