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Angola deve que se farta e nem o petróleo lhe vale
- 2-Aug-2003 - 12:22
Em comparação com o volume das exportações de bens e serviços, o saldo da dívida angolana consumiu 26% de receitas
Angola ocupa o segundo lugar entre os países que maior percentagem do respectivo Produto Interno Bruto (PIB) dedicaram ao serviço da dívida em 2001. Em concreto, gastou 19,7%, proporção ultrapassada só pela Hungria entre os 155 países classificados no Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento humano de 2003. A Hungria, campeã do ranking, gastou 26,4%.
Em comparação com o volume das suas exportações de bens e serviços, o saldo da dívida de Angola consumiu 26% de receitas, cifra que o coloca entre os dez maiores pagadores, em termos percentuais. Estes são encabeçados pela Serra Leoa (com 74,3%), seguida da Argentina (48,6%), Líbano (40,5), Burundi (36,3), Brasil 28,6) e Colômbia (28,1 ).
Convulsões sociais, conflitos ainda actuais e sequelas deles projectam amiúde estes Estados no foco do noticiário internacional.
Todos estes dados constam no diagnóstico da Agência das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) referente ao indicador “Fluxos de ajuda, capital privado e dívida”.
Curiosamente, o Relatório, nas supracitadas rubricas, deixou em branco o espaço dos grandes Estados árabes produtores de petróleo como Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait, Líbia ...
CAPITAIS FRESCOS
Angola, por seu lado, destacou-se, igualmente, no acolhimento de capitais frescos ou, em calão técnico, «influxos líquidos de investimento directo estrangeiro». Recepcionou 11,8% comparados ao volume do seu PIB do ano 2001. O paraíso, nesta rubrica, foi o minúsculo Estado Federal de São Cristóvão e Nevis, situado nas Pequenas Antilhas, com 24,2%.
Seguiram-lhe os Territórios Ocupados da Palestina com (21,8%), Guiné-Bissau (15,1), Sudão (14,7), Hong-Kong (14,1) e Moçambique (13,3). Precedem Angola, também, dois Estados surgidos da desintegração do Bloco Comunista como Macedónia (12,9%) e Cazaquistão (12,3).
São Tomé e Príncipe vem logo depois de Angola, pois registou 11,7% de capitais frescos comparados ao seu PIB.
CONCENTRADO NO SECTOR PETROLÍFERO
Porquê tanto dinheiro fresco não embalou o desenvolvimento para Angola? Concentrou-se no sector da produção de petróleo, refere outro documento, sob a autoria conjunta da ONU e Governo Angolano.
Intitulado, “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (MDG)”, este segundo documento frisa que «infelizmente, o sector petrolífero necessita de pesadas saídas de divisas tanto para aquisição de equipamentos como para remuneração dos serviços».
Por isso, advogou uma inovação de parceria que posar virar os investidores para a vasta esfera não petrolífera.
Texto Jornal «O Apostolado»

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