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Angola anda há 27 anos
à procura do futuro
a que tem direito

- 11-Nov-2002 - 9:59

Angola. 11 de Novembro. 27 anos de independência. Hoje, na sua mensagem ao país, o presidente da República, José Eduardo dos Santos, afirma que «honrar e declarar o nosso amor por Angola assume um carácter solene e especial». É isso mesmo. Angola merece, e para isso conta com certeza com o apoio e a solidariedade de todos os lusófonos, ser feliz. Assim saibam os angolanos, sobretudo eles, declarar e honrar o amor pela sua Pátria.

José Eduardo dos Santos lembra, e bem, «que estas quase três décadas não foram fáceis de atravessar», desde logo porque «uma guerra que parecia não ter fim ceifou a vida de milhares e milhares de angolanos, dispersou outras tantas centenas de milhares de compatriotas e destruiu a base produtiva com a qual contávamos para assegurar o conforto material de todos os cidadãos».

Segundo o presidente de Angola, «apesar de ser um flagelo que destrói quase tudo, a guerra não foi capaz de quebrar a nossa fé num futuro melhor e também não conseguiu abalar a convicção que temos de que Angola é maior do que as adversidades e que a Pátria se realiza na união e no trabalho dos seus filhos, cada vez mais empenhados no firme compromisso para com a paz e a reconciliação nacional».

«Neste 11 de Novembro, portanto, não é somente a reafirmação da nossa autodeterminação que se põe em relevo. O que celebramos é também a abertura de um novo ciclo histórico que se realiza em situação de paz.
À força do povo angolano e à riqueza dos recursos naturais do nosso país, podemos juntar agora a serenidade que se instaura quando constatamos que nada mais pode pôr em causa o esforço colectivo para a construção do bem comum», afirma José Eduardo dos Santos, certamente convicto de que o futuro já começou e que, afinal, todos não serão muitos quando é preciso reconstruir o país.

«A comunidade internacional tem sabido reconhecer os nossos esforços. A ascensão de Angola à presidência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral – SADC e a eleição do país para membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas são testemunhos inequívocos de que podemos contar com o apoio de quase todos os países nesta fase de consolidação da paz», recorda o presidente sem, contudo, se referir à Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa.

Eduardo dos Santos pensa, aliás, que «pelos sacrifícios consentidos, pela tenacidade demonstrada na procura de uma solução para o conflito armado, pensamos que o povo de Angola devia ser proposto e agraciado com o Prémio Nobel da Paz, em reconhecimento também da maturidade revelada no processo de Reconciliação Nacional, substracto da construção de uma paz sólida e irreversível». Tem razão. Talvez a CPLP possa dar uma mão, também (mas não só) nesse sentido.

A radiografia do presidente, neste dia em que o país comemora 27 anos de independência, é bem precisa quando afirma que «há ainda imensas dificuldades a superar, sobretudo no domínio social, para que o povo angolano viva melhores dias. Há a pobreza, que é muito grande mas não é eterna, e isto dá-nos ânimo para combatê-la e derrotá-la, com base no processo fundado na cooperação dos próprios angolanos e na solidariedade das nações amigas. É preciso propiciar alimentos e abrigos, é preciso erguer e apetrechar escolas e hospitais, construir fábricas e abrir canais de irrigação. É preciso desminar os terrenos e reabilitar as infra-estruturas para o transporte de pessoas e mercadorias e para assegurar as facilidades de comunicação. É necessário ainda garantir a oferta a tempo inteiro de energia eléctrica e de água potável, para que os angolanos possam produzir e melhorar as suas condições de vida. É urgente combater as epidemias, como a malária e a Sida, que tanto mal já nos causaram e nos podem ainda causar, sobretudo às camadas mais jovens, garantia do nosso futuro».

Diz Eduardo dos Santos na sua mensagem de esperança, mas onde não esconde a realidade, que «no Orçamento Geral do Estado para o próximo ano, os gastos previstos para a área social, pelo segundo ano consecutivo, são novamente os mais volumosos, assumindo a proeminência antes atribuída às despesas militares», acrescentando que «este orçamento já tem em conta o modelo de crescimento económico que pretendemos adoptar no próximo ano, no qual se prevêem a redução das despesas por parte do Estado e o maior rigor orçamental».

E o novo modelo de crescimento assenta, diz o presidente, essencialmente no investimento, por forma a gerar maior produtividade e mais riqueza a longo prazo: «Neste sentido, vamos desenvolver esforços para captar investimento estrangeiro e estimular o investimento interno, vamos incentivar a poupança interna, pois não pode haver investimento sem poupança. De outro modo corremos o risco de ver o investimento de que o país necessita a ser financiando somente pelo exterior, agravando-se assim o nosso endividamento externo».

Encerrada para sempre, garante Eduardo dos Santos, «a página da guerra e cumprida a agenda política da pacificação nacional, chega a hora do relançamento económico nacional, como contributo fundamental no combate à fome, à doença e à pobreza e na criação de mais empregos e bem-estar».
Talvez por isso, o presidente corrobora que «neste momento em que celebramos mais um aniversário da independência nacional, sublinho a importância do sentimento de tolerância e de respeito pelas diferenças na consolidação da Unidade e na Reconciliação Nacional», acrescentando que «somos uma só Pátria e um só Povo. Estamos destinados a pontificar em África e no Mundo como exemplos de um povo que viveu momentos difíceis mas que soube erguer a bandeira da concórdia e fez da paz uma escolha para construir o seu futuro».

HOLDEN ROBERTO DIZ QUE A INDEPENDÊNCIA FOI UM FIASCO

Entretanto, Holden Roberto (FNLA) o único líder vivo que lutou pela independência e que a declarou, com Jonas Savimbi, no Huambo, afirma que os 27 anos da independência foram um fiasco como resultado da implantação de um regime antidemocrático e corrupto que durante 16 anos de poder não deu aos angolanos a oportunidade escolher pelo voto a força política que melhor servisse o país.

As afirmações de Holden Roberto revelam, aliás, o muito que ainda há a fazer em Angola. Em entrevista à Voz da América o político reivindica a autoria do inicio da luta pela independência e manifesta-se desapontado com o apoio que afirma não estar a ser prestado aos participantes na luta pela Independência e adverte que a falta desse apoio pode propiciar o surgimento de uma nova guerra civil em Angola.

«Os nossos combatentes já reclamaram várias vezes. Estão a favorecer a guerra civil porque os que libertaram o pais não estão a ser bem tratados», lamenta Holden Roberto, acrescentando que «aqui não há democracia».

«Enquanto o MPLA estiver no poder não há esperança para este pais porque não há justiça. Alias como pode haver se não há separação de poderes?», interroga o velho guerrilheiro, agora com 70 anos.

Holden Roberto é único testemunho vivo dos três signatários dos Acordos de Alvor que ditaram a independência de Angola em 11 de Novembro de l975.

SAVIMBI TAMBÉM É ANGOLANO E TAMBÉM LUTOU PELA CAUSA

Os simpatizantes da UNITA dirão que o seu fundador, líder e também signatário dos Acordos de Alvor merece estar, pelo menos na História, ao mesmo nível de figuras com Gamal Abdel Nasser (Egipto), Amílcar Cabral (Cabo Verde e Guiné-Bissau), Léopold Senghor (Senegal) e Hassan II (Marrocos).

Dirão também que Jonas Malheiro Savimbi deu a sua vida pela paz em Angola e que deixou «um legado político para equacionar, na multifacetada teia do complexo mosaico nacional, as vias que devolvam aos angolanos a sua dignidade, a sua liberdade e o espírito de tolerância, bens preciosos para a construção da democracia e do progresso».

Utilizando as palavras de José Eduardo dos Santos, declarar o amor por Angola e tudo fazer pela reconciliação nacional passa igualmente por reabilitar, ou honrar, algumas das figuras que – à sua maneira – também lutaram pela independência do país, sejam elas Hoji-ya-Henda ou Jonas Savimbi.

JORGE CASTRO
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