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  Entrevista
Proposta de Orçamento, tal como está, é «um mal pior», diz Passos Coelho
- 20-Oct-2010 - 22:50


O presidente do PSD considerou hoje que a proposta Orçamento do Estado para 2011, tal como está, "è um mal pior" para Portugal e que se não for alterada será preciso "enfrentar o problema de frente".


"Se eu entendesse que o Orçamento, tal como está, não trazia um mal pior ao país, não teria colocado condições ou apresentado propostas para considerar a abstenção do PSD", declarou Pedro Passos Coelho, em entrevista à TVI.

De acordo com o presidente do PSD, "o pior que pode acontecer a um país é o irrealismo e é ficar com um Orçamento que adia um problema sem conforto nem confiança para ninguém".

"E se o resultado final, que eu não desejo, for uma proposta de Orçamento que não é realista, que não é cumprível, como esta que aqui está, então nós temos de encarar problema de frente, não podemos meter a cabeça na areia", acrescentou, defendendo que "aí é importante que cada um assuma suas responsabilidades".

"Eu estou a assumir as minhas nesta altura e espero que agora o Governo assuma as suas", concluiu.

Passos Coelho evitou afirmar que o PSD está disposto a chumbar do Orçamento, mas acabou por defender que não pode deixar "passar uma coisa que é má" se entender que com isso coloca "o país em pior situação".

"E, portanto, é a minha responsabilidade perante o país que me leva a não viabilizar, sem mais, um Orçamento", completou.

O presidente do PSD admitiu ter mudado de posição em relação aos impostos, aceitando agora o aumento do IVA num ponto percentual, o que justificou com o contexto de "brutal derrapagem das contas públicas” que se tornou claro em "meados de Setembro" e que disse tê-lo "apanhado de surpresa".

Questionado se poderá pedir novamente desculpa aos portugueses, respondeu: "Todo o país sabe hoje quem é que devia estar a pedir desculpa aos portugueses".

O seu objectivo agora é "aliviar a sobrecarga fiscal que tem efeito recessivo", tentando "impedir que no próximo ano se mate o doente com a cura".

No seu entender, o défice real no final deste ano vai ser de 8,5 ou 9 por cento e fazê-lo recuar "para 4,6, nos termos em que o Governo propõe, é uma coisa que se arrisca a ser como que a matar doente com a cura".

Referindo que desconhece "experiências em que uma consolidação tivesse sido feita num ano, em economias desta dimensão, de forma bem sucedida", Passos Coelho acrescentou que, se estivesse no Governo, talvez suscitasse "junto da Comissão Europeia uma revisão das metas que o próprio Governo se propôs fazer" para a redução do défice.


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