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  Brasil
Carta-aberta ao Sr. Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio
- 14-Aug-2003 - 12:38

«(...) No dia 9 de Novembro último o semanário "Expresso" publicou uma grotesca e despudorada fotografia de um quadro representando "a Virgem grávida", o qual, segundo o mesmo semanário, foi pintado por Paula Rêgo por iniciativa pessoal de V. Exa. e se destina à capela do Palácio de Belém.»


«Exmo. Sr.
Dr. Jorge Sampaio
Presidente da República
Palácio de Belém
Lisboa

Senhor Presidente,

O abaixo-assinado, jornalista português residente no Brasil, julga de seu dever dirigir-se a V. Exa. para o que segue.

1) No dia 9 de Novembro último o semanário "Expresso" publicou uma grotesca e despudorada fotografia de um quadro representando "a Virgem grávida", o qual, segundo o mesmo semanário, foi pintado por Paula Rêgo por iniciativa pessoal de V. Exa. e se destina à capela do Palácio de Belém.

Esta notícia, que chegou ao Brasil com explicável atraso, produziu em diversos ambientes luso-brasileiros estranheza e desagrado.

2) Além de muito discutível -- pelo menos -- enquanto concepção artística, trata-se de uma gravíssima ofensa contra a Religião professada pela esmagadora maioria dos portugueses. Muito pior ainda, é uma gravíssima ofensa contra a Mãe de Deus e Padroeira de Portugal.

3) Queira ou não queira V. Exa., tenha ou não tenha V. Exa. fé, o facto é que é Presidente de uma república constituída na sua quase totalidade por Católicos Apostólicos Romanos. E não tem V. Exa. nenhum direito -- seja a que título for -- de se permitir ofendê-los dessa forma.

4) Imagine V. Exa. que algum artista de muito mau gosto e muito pouco talento artístico desejasse chamar a atenção do público sobre suas medíocres produções valendo-se do recurso fácil ao escândalo e ao sensacionalismo, e que tivesse a infeliz ideia de pintar um quadro representando uma mulher na mesma posição grotesca em que Paula Rêgo se atreveu a pintar a Santa Mãe de Deus; imagine ademais que esse artista desse a tal "obra de arte" o título de "A Sra. Mãe do Dr. Jorge Sampaio no ato de dá-lo à luz". Obviamente, V. Exa. se sentiria, com justíssima razão, gravemente ofendido, e Portugal inteiro se indignaria contra essa inominável agressão à respeitável genitora de V. Exa. e, por extensão, à própria pessoa de V. Exa. Este hipotético artista dificilmente escaparia a um processo judicial por desacato à autoridade constituída e por violação dos direitos humanos da pessoa retratada.

5) Tenho, Sr. Presidente, o mais assinalado respeito pela Sra. sua Mãe, e jamais ousaria referi-la nestas circunstâncias se não fosse isto indispensável para fazer V. Exa. avaliar a gravidade do ultraje feito à consciência da imensa maioria dos portugueses -- sem falar na ofensa gravíssima à mesma Santíssima Virgem (que, como pessoa que é, também tem seus direitos humanos!) e ao seu Divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

6) Dirá talvez V. Exa. que é Presidente de uma república laica, e que enquanto tal não lhe compete tomar posição em questões religiosas. Veja V. Exa. mais uma das inúmeras contradições do regime republicano que se pratica na nossa terra: o Presidente da República não pode favorecer a Religião da quase totalidade dos portugueses, porque o Estado é laico e neutro em matéria religiosa. Mas o mesmo presidente da república pode ofender gravissimamente a mesma Religião, alegando como argumento a laicidade e a neutralidade do Estado em matéria religiosa...

7) Em face do que precede, Sr. Presidente, venho manifestar-lhe meu mais categórico protesto contra o facto inqualificável -- note V. Exa. que estou a moderar bem as expressões que utilizo -- de essa blasfema e escandalosa "obra de arte" ser colocada na capela do palácio presidencial por iniciativa e com total apoio de V. Exa.

8) Já vão longe os tempos em que um Rei de Portugal -- cujo nome foi inscrito com letras de ouro na História pátria e na memória do nosso povo -- consagrou a Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa o Reino de Portugal, com todos os seus senhorios e domínios ultramarinos, e Lhe ofereceu sua coroa régia como sinal de preito e vassalagem. E para maior solenidade do seu gesto, fê-lo na presença das Cortes gerais do Reino, e chegou a amaldiçoar a algum seu futuro sucessor que ousasse atentar contra tal consagração: "Se alguma pessoa intentar cousa alguma contra esta nossa promessa, juramento, e vassalagem, por este mesmo efeito, sendo vassalo, o havemos por não natural, e queremos que seja logo lançado fora do Reino; E se for Rei (o que Deus não permita) haja a sua e nossa maldição, e não se conte entre nossos descendentes: esperando que pelo mesmo Deus que nos deu o Reino e subiu à dignidade Real, seja dela abatido e despojado" (documento de 25 de Março de 1646).

9) V. Exa. não é Rei de Portugal, mas enquanto Chefe de Estado ocupa transitoriamente a posição histórica dos Monarcas fidelíssimos de Portugal. Pense bem V. Exa. na gravíssima responsabilidade que a este título lhe cabe.

10) Ainda enquanto ocupante transitório da Chefia de Estado, é oportuno que V. Exa. -- que um dia prestará contas a Deus -- pense também nestas palavras do Livro da Sabedoria, dirigidas a todos quantos exercem o poder nesta terra: "Os que governam devem esperar um juízo cheio de rigor ... Deus não exceptuará nenhuma pessoa, e não terá contemplação com nenhuma grandeza; foi Ele quem fez os pequenos e os grandes, e de todos tem o mesmo cuidado. Mas aos mais poderosos reserva um suplício mais temível" (Sab. 6,6-9).

É em espírito de reparação à Santíssima Virgem Imaculada, Rainha e Padroeira de Portugal, que envio a V. Exa. esta carta aberta, Sr. Presidente, ao mesmo tempo que rogo a Ela Se digne perdoar a inqualificável ofensa que Lhe foi feita.

Sem mais, Sr. Presidente, subscrevo-me respeitosamente,

Armando Alexandre dos Santos
B. I. 12899582
Carteira Profissional de Jornalista 4981
E-mail: aasantos@dialdata.com.br»


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