| Pesquisar |
|
|
| Notícias |
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
|
 |
| Canais |
»
»
»
»
»
»
»
»
»
|
 |
Siga-nos no
Receba as nossas Notícias

Quer colocar as Notícias Lusófonas no seu site?
Click Aqui |
|
| Serviços |
»
»
»
»
»
|
|
|
| |
Conversas
no
Café Luso |
|
|
|
|
Entrevista
|
|
Uma mudança que reacende hábitos antigos
- 12-Nov-2010 - 11:55
Um dos grandes problemas africanos de hoje tem a ver com a coesão social, um elemento fragilizado devido à ruptura do tecido familiar em favor do económico. O enriquecimento e aburguesamento de alguns cristalizou os hábitos de uma classe que olha para os seus botões como pertencendo ao vértice social de uma pirâmide politica económica. A hieraquia social das desigualdades associada à distribuição do poder na sociedade, sempre existiu, porém na nova nomenclatura extinguiu assimetrias gerando nova realidade de cariz sócio cultural.
Por Inácio Natividade
A realidade social emergente vem produzindo modelos comportamentais padronizados expressos de uma hierarquia vinculada a uma nova ordem aparentemente assumida e aceite. Poderia ser uma mafia mas não, uma tribo mas nada parecido, acima de todos existe uma elite com poder politico e económico.
Os outros segmentos da população, os pobres, remediados, os idosos, mães solteiras, a juventude em geral, sentem que o poder inesgotável das elites, está em todo o lado, nas tomadas de decisão importantes, desta forma não podem fazer parte do clube porque lhes e economicamente inacessivel. Carros de marca, blackbarries I phones 4 a androids, clinicas e escolas privadas, fatos Armani, vestidos importados de Paris, Londres, Milão são marcas que demarcam gostos refinados consumistas e poder económico e nada mais.
Significa por exemplo que a economia de mercado permitiu que Moçambique e Angola virassem mercados de boas marcas, sem que isso seja sinónimo de progresso. Entre dinheiro e progresso parece que os moçambicanos e angolanos estão a meio caminho e têm a liberdade de escolha. Ter poder económico em África nem sempre sigifica altruismo ou solidariedade. A tendência é a propagação exclusivista elitista, a coesão social neste momento é quase inexistente, egoismo?
Essa é uma das caracteristica do capitalismo selvagem e em muitos aspectos a ascensão social e económica de alguns está também associada à queda de valores de muitos. Se durante o colonialismo muitos tinham vergonha por a familia ser pobre,ou por esta usar trajes africanos, capulana e lenço, e falar portugues com sotaque carregado, hoje então é o salve-se quem puder.
Com os indices de desemprego em alta, o estado moçambicano continua a ser o maior empregador, e o único a preocupar-se de facto com os mais necessitados, apesar da arrogância patenteada de alguns funcionários públicos que deixam muito a desejar.
A Frelimo lutou para libertar o homem e a sociedade, contudo o acesso à boa saude e à boa educacão continuam a ser para quem pode. Há ainda muito espaço para o compadrio e corrupção, e a tendência tem sido facilitar a vida aos que possuem posses e dificultar as multidões a quem falta tudo. Os que nada têm por não ter onde ir consomem tudo em silencio, por medo falam onde nao deveriam e até se confessam a padres e pastores. Há quem diga que por esse motivo as igrejas incluindo as envangêlicas vêm o número de fieis crescer semana a semana. Parece que por lá nas suas queixas e lamechices têm quem os ouça.
Medo, mas medo de quê e de quem? Dos chikwembos reflectidos no espelho. No fundo o dilema é o mesmo: como exorçiza-los?Alguém que tenha o toque de Midas. Ninguém deve recear a democracia antes deve ser abraçada por todos. É verdade que houve pouco espaço e tempo a formação democrática, muitas pessoas vivem arreigadas na cultura dos nhagas que com os seus tinlholos vêm na familia e seus problemas existencialistas um espaço de consagração ao seu dominio; é por estas e outras que a sociedade vive infestada de inimigos invisiveis, e certas pessoas apenas se dignam a responder a vénias e cumprimentos e telefonemas de pessoas e individualidades que lhes interessa.
Tanto o sector público como o privado têm sido ambos tolerantes a este inaudito tipológico comportamento, quando deveria ser norma, o respeito devido e professionalismo. A liberdade é um conceito que obedeçe a uma dialéctica necessária a um conceito da evolução da sociedade democratica. Certos comportamentos podem reacender hábitos antigos que para o bem da sociedade deveriam ser imolados antes que se transformem num peso enorme de bloqueio.
As pessoas tem de ser mais solidárias e generosas para com as outras. Os mais economicamente realizados deveriam dedicar-se a filantropia, angariar fundos para iniciativas de apoio e promoção a projectos de desenvolvimento sustentável, desenhados a apoiars jovens e as mulheres pobres. Lutar pela inclusão social faz parte integrante da luta contra a pobreza e subdesenvolvimento preconizada pelo presidente Armando Guebuza.
Moçambique careçe de coesão social. É esta a conclusão do relatório, baseado no inquérito de 2008: apenas 12 por cento dos entrevistados afirmou ter feito uma doação no mês anterior e 14 por cento dos inquiridos afirmaram terem feito voluntariado numa organização no mesmo período, 35 por cento disseram terem ajudado um estranho e apenas 3 quartos disseram terem amigos ou parentes a quem poderiam recorrer em caso de necessidade.
O acesso a redes familiares parecem relativamente fracas. No entanto, as redes religiosas podem ser mais acessíveis: 6 em cada 10 pessoas frequentam regularmente os locais de culto.
O instituto faz parte do Legatum Group, uma organização privada de investimento nos mercados de capitais internacionais e na promoção do desenvolvimento sustentável, adianta o mesmo.
A despeito da pobreza em cada quarteirão, viela e periferias das cidades e no campo o grau de exibicionismo excessivo reflecte a grandeza e as fraquezas do capitalismo nas nossa praças e burgos; espelha que a transição do centralismo económico para a economia de mercado vem produzindo um culto da irresponsabilidade inconsequente; altivez ou pequenez na cabeça, qual a a diferença?
O homem do século XX e XXI é no fundo o grande desiludido. Está inserido numa civilização materialista filho dilecto do capitalismo-socialismo. Ele procurou a felicidade em ambos e ambos lhe vão negando. Onde quer que esteja a economia de mercado muitos viverão no limbo ou inferno da injustica social e económica, mas discordo da asserção de que o capitalismo seja mau de todo.
O modelo capitalista de desenvolvimento traz crescimento e desigualidades, compete no entanto aos governos humaniza-lo, sendo o estado social o meio de proteger as classes sociais mais baixas e a terceira idade. De facto tudo começa e termina no homem. Ao agarrarmo-nos ao capitalismo selvagem como se este fosse a única tábua de salvação não é politicamente inteligente, nem o pais mais desenvolvido os Estados Unidos resolveu os problemas mais básicos e primários da sua população.
Só agora, e passados 200 anos nos Estados Unidos conseguiu-se esboçar um sistema de saúde abrangendo os cidadãos pobres. O filme do realizador americano Michael Moore, Capitalismo: A Love Story, deveria ser visto por muitos. A crueldade e insensibilidade, além de desumanismo são retratados ao fundo, não sendo novidade a ninguem, que os acionistas sempre ganham com a desgraca de muitos.
Há pessoas a morrer à fome e a dormir nas ruas e segundo estatisticas recentes existem cerca de 40 milhoes de pobres na América. O mundo está a mudar, os sistemas de governação são faliveis, assim um sistema deve ajustar-se a região onde se encontra; os governo devem procurar meios de actualizar os seus quadros de forma a ter de lidar com mudanças,com especial enfoque na visão politica do pais, ajustando-a a realidade politica social económica internacional.
A força dos mercados não deve jamais ser ignorada.A crise global do capitalismo trouxe novos interlocutors politicos económicos de peso que vem alterando a correlação de forcas BRIC (Brasil, Russia, India , África do Sul e China), e apesar do ditame que afirma que nivel das relacões internacionais não existem amizades mas apenas interesses, a esperança africana é que a partir deste momento na arena internacional e a nivel do Conselho de Segurança das Nacões Unidas a África não estará isolada e os seus problemas passarão a estar mais na vitrina das prioridades mundiais.

Ver Arquivo
|
|
 |
| |
|
| |
|
|
|
|
|